Mais do que colocar para baixo do tapete, certas questões éticas difíceis precisam ser discutidas, principalmente agora que a rede brasileira de blogs inicia um processo de amadurecimento.
E num tom um tanto agressivo – que talvez tenha motivado uma certa rejeição inicial dos simpatizantes do Yahoo Posts! – listou todos aqueles blogs que participam do novo projeto. O tom talvez também tenha motivado o abraço da turma do mimimi.
Na opinião do editor, a união com o Yahoo teria contradições éticas importantes.
Mas que dizer de todos os blogs e sites que usam os anúncios AdSense, do Google, para remunerar o seu trabalho, conscientes de que essa empresa tem uma política especial de indexação para a China, tudo acertado para garantir um dos maiores mercados do planeta? É algo tão ou mais grave que a delação de dois jornalistas.
E então? Ganhar dinheiro com ajuda dessa empresa também não é questionável?
Mais do que dizer se o editor está certo ou errado em suas observações, considero que não seja prudente simplesmente ignorá-lo. Sinceramente não acho que a discussão tenha que acabar aí. Isso seria covarde. Seria não se olhar no espelho.
Se associar com grandes corporações quase sempre é se associar com o pé-redondo, o tramunhão, o tranca-rua e seus aparentados de chifre e rabo.
Existe um documentário que pode ser muito útil nessa discussão:
- Veja A Corporação, no YouTube: sério. Assista.
Creio que existe um depoimento em todo o documentário que ajuda a resolver (um pouco) o xeque em que os editores de blog se colocam o tempo todo ao se ligarem a empresas que, nem sempre, são totalmente éticas.
O cineasta Michael Moore é conhecido por seus documentários questionadores – alguns o acham bom, outros o acham um farsante ou simplesmente um mau cineasta, mas não importa. Os seus documentários são, enfim, questionadores e provocantes. Mas, ora: ele não se vale de toda uma indústria cinematográfica que é financiada por algumas dessas corporações que ele questiona e que, outras vezes, financia algum tipo de imoralidade? A certa altura ele responde o seguinte: sim e eu uso isso a favor das coisas em que acredito. Bem, ele fala algo mais bonito, mas o que importa é o seguinte.
Você não vai conseguir vencer os tubarões sendo um tigre. Você vai morrer afogado ou nem vai entrar na água, na batalha. Vai ficar olhando, da praia, as coisas acontecerem.
Você tem que se tornar um pouco tubarão também.
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