Quer pagar turismo internacional para escritores? Pergunte-me como.
22 de março de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 15 Comentários »Gosto muito de Lourenço Mutarelli, autor do divertidíssimo livro Jesus Kid, mas não sei se eu colocaria a mão no bolso, lhe daria R$ 10 mil e lhe pagaria uma viagem a Nova York. Além dele, outros 15 escritores viajarão a outras cidades turísticas com as despesas pagas pela Lei Rouanet e com a finalidade de escrever um romance, uma história de amor, no projeto Amores Expressos.
O dinheiro fornecido a projetos como esse por tal lei vem da renúncia fiscal de empresas que, assim, sem colocar a mão no bolso, ligam seu nome a produtos de possível valor cultural. Elas simplesmente dão uma parte do dinheiro que teriam que, de qualquer maneira, gastar com impostos.
Como se fosse um vício do mercado, praticamente ninguém mais patrocina projetos culturais por meios diretos. E as leis de incentivo – sejam municipais, estaduais e federais – são muito bem utilizadas principalmente por artistas já consagrados, pelos quais grandes empresas ganham publicidade gratuita. E você ainda tem que pagar um ingresso caríssimo para ver um show desses caras.
Não entro no mérito de Mutarelli merecer ou não. Nem no mérito dos outros 15. Possivelmente mereçam. É bom ver artistas e supostos artistas recebendo uma justa paga por seus trabalhos.
Porém, considerando a origem do dinheiro – uma lei injusta, que não funciona e que deveria ser reformulada -, eu gostaria de, com a minha parte do dinheiro, inteirar a passagem da minha diarista, que mora longe. Não tão longe quanto Nova York, mas eu garanto: dá quase duas horas de ônibus.

Isso me deixa triste… principalmente porque muitos projetos “descentes” ficam de fora por muitos motivos.
Aqui em Londrina a prefeitura tem financiado muitos projetos através do Promic (programa de incentivo a cultura) que é um incentivo direto do dinheiro publico à projetos. Acho bacana por vários motivos, e o principal é que a cidade tem ficado cada vez mais forte na area cultural. Além do que dá pra fazer muita, mas muitaaaa coisa de graça ou pagando quase nada (como domingo que fui a uma peça por dois reais, hoje que vou a outra por um quilo de alimento e amanhã que vou à estreia da Semana de Circo e Teatro pelo mesmo “preço”).
Por falar nisso, ontem começou o FTC, não? Vais?
beijo
Resposta: Não sou contra a idéia das leis de incentivo em si, Marcela. Mas como estão – seu funcionamento, as pessoas que tiram proveito dela e como estão – são questionáveis. A sua finalidade é extremamente nobre, mas os meios, princípios e diversos resultados são imorais. Um bom projeto cujo dinheiro venha dela, em minha opinião, é também pouco ético já em sua origem.
No Festival de Teatro ainda não fui a nenhuma peça. Irei provavelmente a uma ou duas, indicadas por alguém de confiança. Morro de medo.
Beijos!
Desde que eu aprendi em criança ainda que mecenato como no Renascentismo não existia mais, uma indagação sempre martelou meu cérebro: Será que as artes sobreviverão a longo prazo?
A lei Rouanet não basta. As artes gerais urgem de infinitos incentivos. Estou convencido de que o menosprezo de financiá-las é um dos sintomas de que o Apocalipse está próximo.
Resposta: A entrevista de que eu fiz o link no artigo fala sobre algumas soluções… recomendo muito a sua leitura, Rui…
Abraços!
A Lei Rouanet é uma das maiores tolices da cultura brasileira. Só serviu para institucionalizar a arte de patota, um mal que, no Brasil, parece infinito.
Resposta: Exagero Paulo! E, sem ela e sem a lei do audiovisual, como a Xuxa poderia fazer os seus filmes? ;-)
Abraços!
A gente faz uma vaquinha e vai pra algum lugar tosco, lançamos o projeto Amores Perversos, escrevemos heresias e damos o show: nada de Rouanet, coitado.
E preciso arranjar trocado pra pegar o ônibus amanhã.
Resposta: Eu voto nos Amores Perversos… o que poderia ser no lugar da viagem?
Abraços!
Olha, eu gostei do projeto Amores Perversos, acho que dá Ibope! :-)
Resposta: Concordo! Cada um vai para uma zona ou coisa parecida, fica lá no máximo duas horas e sai com uma história de amor peverso…
Beijos!
Olá amigos,
Bom saber o que pensam os blogs a respeito das leis de incentivo. Também concordo em alguns pontos com os cometários aqui apresentados, mas confesso, gostaria estar entre os eleitos. Quem sabe não sairia um best-seller? Vamos torcer para que os contemplados sejam inspirados e façam a diferença literária nacional. Afinal, foram enviados para isso, então… Vamos ser generosos e aguardar as novidades.
Um abraço, Lenira
Por favor, existe a possibilidade de divulgar livros lançamento nesse site?
Obrigado.
Flavio Martins.
Em princípio, Flavio, o site não se dedica a lançamentos. Mas certas peculiaridades podem ser interessantes de serem divulgadas. Cada caso é um caso que tomo liberdade de analisar. Porém, estou sempre aberto a sugestões que pode mandar por email. Abraços!
eu queria saber como eu posso publicar o meu livro?
Creio que no Brasil, ainda, demorará tempo para que a importância dada a cultura tenha a devida honraria que lhe é de direito.
Afinal, os arcaícos políticos, fazem leis, que apesar das mudanças instituidas, os resultados parecem serem os mesmos – infelismente!
De qualqer maneira, parabéns; vamos juntos, nesta luta!
Para mim, um financiamento direto através das instituições bancárias , com juros módicos exclusivos para escritores independentes, que somente pegaria valores correspondentes ao que precisaria para alimentar e lançar seus trabalhos, seria suficiente.
Eu vendo bugigangas na rua para sobreviver e escrevo para viver.
Para isso, trabalho no meu velho computador, até altas horas, tentando pesquisar, ler (como lazer), estudar e obter inspirações.
Irei, muito em breve, pedir esmola aos amigos, aos comerciantes e outros pequenos empresários daqui, para ver se consigo lançar minha coletânia com 3 ou 4 livros, fruto de 5 anos de trabalho assíduo mais os que somei pela vida afora.
Em 2005 lançei pela facul de letras daqui meu primeiro livro,
Foi uma festa para mim, e, nenhum centavos pelo fruto do trabalho!
Mas, valeu muito como incentivo, e tem gente passeando por aí, não é…
Grande abraço!