Tenho diploma de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo há 11 anos (não está na parede).

E não lamento o fim da obrigatoriedade, mesmo porque a dinâmica da informação está mudando e dependerá cada vez menos de pessoas supostamente habilitadas e oficialmente autorizadas para propagar notícias.

Supostamente, pois o diploma nunca foi garantia de um bom empregado de um veículo de comunicação (atualmente é isso o que as Universidades formam: empregados). Quanto mais de um bom Jornalista.

E oficialmente porque era isso o que o diploma era: uma maneira de oficializar uma pessoa – capaz ou não – como jornalista.

Tive a sorte de começar a trabalhar em jornal antes mesmo de ser formado – antes de ter diploma portanto – e tive uma das melhores formações que um jornalista poderia ter em todos os aspectos profissionais: em uma redação. E ainda ganhando o salário de um profissional formado.

A única coisa que lamento é que em vez de uma faculdade de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, eu poderia ter feito um curso mais interessante – como culinária, relojoaria ou tricô – que me proporcionasse uma formação mais humanística e menos técnica. Ou mesmo não ter feito formação oficial nenhuma, aprendendo de acordo com o meu interesse!

A cultura geral de um jornalista (jornalista porque tem diploma e não porque o seja de fato) que sai de uma faculdade hoje, na média, é muito fraca. Fiquei certo disso depois que tive a curiosidade e dei uma olhada na comunidade do Orkut sobre jornalismo e nos textos que andam escrevendo por lá.

Não fui leviano a ponto de julgar a gramática ou a ortografia da coisa toda. Seria covardia e não levaria em conta a adequação do código ao ambiente.

A questão é a estruturação das idéias, a organização do pensamento. E precisei supor que os bons estudantes e os bons jornalistas, com algumas exceções, devem estar em outro site social, talvez em nenhum.

Senti, por exemplo, que há uma dificuldade em entender que não foi o fim do diploma, nem o fim do jornalismo. Foi o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. O diploma continua. O fim de sua obrigatoriedade, no entanto, seria muito mais difícil se o diploma de fato fosse um certificado da qualidade do profissional. Coisa que não é. Talvez nunca tenha sido.

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