Qualquer um se diz escritor hoje. Basta ter dois ou três livros com as correspondentes e indefectíveis noites de autógrafo. Se publicar livros fosse critério, teríamos muitos escritores e poucos engenheiros, que, para o serem, teriam antes que construir dois ou três edifícios (que não despencassem). Talvez não fosse má ideia. Porém, adotado tal critério, teríamos um novo ofício para o qual nem se tem nome: já que todos vamos aos banheiros diária e solitariamente produzir sem o uso do intelecto ou mesmo das mãos o que se faz apenas sob a trilha sonora do chapinhar da água. Se há algo que o homem ocidental e, creio, também o oriental sabem fazer, é produzir água potável a certo custo e, depois, nela defecar como se o recurso estivesse sobrando no planeta. Temo, no entanto, que esse novo ofício – embora de qualidade superior ao muito que se vê nas prateleiras das livrarias – não seria tão populoso quanto o dos escritores, visto que há tantos que se denominam como tal por aí. Tão somente por ter produzido algo que está em uma estante mas bem poderia estar em outro lugar mais úmido e um pouco menos perfumado.










