Como eu contei em artigo anterior, eu e Júlia começamos a ver todos os episódios de Twin Peaks. Acontece que, a partir do momento em que o assassino de Laura Palmer é revelado, a coisa perde muito da graça.
Para entender melhor do que estou falando, vale a pena ler um artigo do Registro Dissonante sobre a série Twin Peaks:
Não sei se são verdadeiros os rumores de que David Lynch abandonou a série para cuidar de seus projetos cinematográficos e por isso a coisa degringolou, mas a meia dúzia de episódios que dão sequência à trama são de uma pobreza de dar dó. Roteiristas perdidos, direções inseguras e uma trama que sobrevive na inércia graças ao carisma de seus personagens. Até a trilha maravilhosa de Angelo Badalamenti é mal utilizada, servindo de muleta para dar emoção a cenas completamente inúteis.
E é verdade. O novo diretor parece não ter entendido nada. Para Lynch, a loucura está nas pessoas normais, em fatos cotidianos que só têm um verniz de normalidade.
No modo como um dono de hotel come um sanduíche ou na maneira como uma ninfeta se contorce dançando ao som de uma música sensual, por exemplo.
A nova direção apela para a loucura caricata e para o inusitado previsível. Sem falar que a série começa a parecer uma novela das oito. Daí para baixo. Todos os personagens perdem sua aura de saudável e charmosa esquisitice. Entenda isso como quiser.
Recomendo que você pare de ver a série a partir da descoberta do assassino, leia a sinopse dos demais episódios para não se perder, e retome tudo a partir dos episódios 27, 28 e 29, quando Lynch retoma o manche e termina a série de modo aparentemente raivoso.
Não foi à toa que ele fez um longa com cenas editadas a partir dos episódios filmados por ele: para livrar a sua cara do vexame e separar o joio do trigo.
As demais partes só valem para aqueles fãs da série Arquivo X (programa filhote de Twin Peaks) que quiserem satisfazer uma curiosidade mórbida, ainda segundo o Registro Dissonante:
Os fãs de “Arquivo X” ainda podem se divertir com a bizarra participação de David Duchovny como Denise Bryson, o agente do FBI travestido, personagem que some sem dar satisfações e serve para resolver os problemas de Cooper com as acusações de tráfico de drogas. Também serve para realizar, em parte, o meu maior sonho nerd: ver Fox Mulder, pupilo não-declarado de Dale Cooper, investigando Twin Peaks.
No mais, brindo-os com um detalhe de uma capa da revista Rolling Stone em que aparecem, da esquerda para direita, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fen, Mädchen Amick, atrizes da série, todas muito mais interessantes que Laura Palmer.
Sobretudo Sherilyn, que na série vive Audrey Horne, filha do suspeitíssimo empresário Benjamin Horne.

Detalhe dos penteados. Super década de 80.








