Posicionamentos da Igreja são a nova Santa Inquisição

Ficamos todos admirados com o que a Igreja Católica foi capaz de fazer durante as fases da Santa Inquisição e em outros momentos também. Mortes, torturas, fogueiras. Olhamos para isso como quem observa um quadro cheio de claros e escuros, chamas e sangue, em um museu.

Parece distante, mas não é.

Muito recentemente, coisa de décadas, papas vem pedindo desculpas pelo que, em nome daquilo que se chamava Lei de Deus, seus antecessores fizeram ou permitiram.

Não tenho dúvida de que daqui a um século, se ainda existir Igreja Católica, o papa da época vai pedir perdão pelas besteiras que esse Ratzinger vem falando na África sobre sexo, camisinha e, provavelmente, outras coisas.

Nesse continente, 25 milhões de pessoas morreram de aids desde a década de 1980. A Suazilândia, hoje, tem 1 milhão de habitantes, 40% deles com essa doença.

Pessoas inteligentes já falaram que o arcebispo que excomungou a mãe da menina estuprada e a equipe que realizou o seu aborto, em Pernambuco, poderia ser respeitado pela coerência com sua fé. O Ratzinger, possivelmente, também está sendo coerente com o que acredita ao declarar, na África, a posição da igreja quanto ao sexo.

Por isso, a imagem que eu tenho de coerência, ultimamente, é o frade dominicano Tomás de Torquemada, acendendo uma fogueira com um infiel prestes a arder a sua frente. Nada mais coerente que ele, ninguém mais certo de si e de suas convicções.

Enquanto isso, aguardemos um ou dois séculos por desculpas da Igreja pelas mortes que, por omissão e intervenção direta, permitiu que acontecessem.

A História vem mostrando que o futuro é muito mais infalível que o papa.

Postado em Variedades.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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