Leio no livro Não Nascemos Prontos, de Mario Sérgio Cortella:
É necessário interromper a lógica que entende o trabalho contínuo e incansável como sendo a única fonte de saudabilidade moral e cívica; é preciso enterrar a estranha racionalidade que entende a capacidade de voltar a trabalhar como sendo o melhor critério de saúde. É comum um adulto internado em um hospital ou adoentado em casa considerar-se sarado apenas quando, após perguntar ao médico se pode voltar ao trabalho, fica por ele “liberado”; por que não perguntar: “Doutor, já estou bom? Já posso voltar a namorar, bailar, transar, jogar?”
O trecho está numa das crônicas do livro. Nela, Cortella questiona o pragmatismo das pessoas que reclamam do suposto excesso de feriados que há no Brasil, particularmente do carnaval.
Ele termina o seu desenvolvimento com uma frase do poeta romeno do século 19 Mihai Eminescu:
As pessoas alegres fazem mais loucuras do que as pessoas tristes, porém, as loucuras das pessoas tristes são mais graves.
E finalmente em suas próprias palavras:
Afinal, louco não é o povo que para por quase uma semana para brincar; louco, provavelmente, é o povo que nem pensa em parar.











