Por que você não sabe fazer links?

Katana - O que um samurai me ensinou sobre links

Links são feitos da maneira errada por um motivo incrível. Porque são fáceis de serem feitos.

Mas não há nada de errado nesse paradoxo. É muito comum que as pessoas substimem os gestos simples e os pratiquem de forma indolente.

Os japoneses criaram uma arte chamada iaijutsu: a arte de desembainhar a espada. A primeira vez que ouvi falar disso, achei graça. Ora, é só puxá-la da bainha pelo cabo e balançá-la ameaçadoramente.

Mas você ficaria surpreso com a quantidade de detalhes que um gesto tão simples quanto esse pode ter, a ponto de ser levado à perfeição.

Toda simplicidade esconde uma série de complexidades. Isso vale para os links.

Escolhi alguns fatores que me chamam muito a atenção atualmente sobre esse recurso dos blogs e, abaixo, discorro rapidamente sobre eles. Certo de que há muito mais para falar sobre o assunto.

Links são títulos que você dá à página de destino.

Imagine que você vai apresentar dois amigos seus que não se conhecem.

- Oi, esse aqui é o José da Silva. Mas pode chamar de Clique Aqui. Este aqui é o João de Souza, mas pode chamar de Clique Aqui, também.

Você precisa escolher bem as palavras sobre as quais vai aplicar o link. Cuidado para não chamar todas as suas páginas de destino de Clique Aqui.

Uma boa maneira de aplicar um link é citar o nome do site ou blog e a seguir o nome do artigo.

Por exemplo:

Se não quiser repetir o título do artigo simplesmente, eu sugiro que você dê o seu próprio título ao link. O que se encaixar melhor no contexto. Eu escrevi recentemente um artigo que ensina a como escrever títulos irresistíveis.

Isso é bom para o leitor.

Por motivos óbvios, isso é bom para o leitor: ele sabe exatamente o que vai encontrar quando clicar no link. A não ser que você queira fazer uma surpresa para ele. Mas acho que não é o caso na maioria das vezes.

Isso é bom para o autor do site de destino.

Ele não terá sua página, feita com tanto carinho e dedicação, chamada de Clique aqui ou de outros nomes estranhos. E certamente o acesso de pessoas interessadas no assunto sobre o qual ele escreveu vai aumentar. Em contrapartida, o número de pessoas que clica sem saber exatamente o que vai encontrar e, por isso, vai para outro site um segundo depois, diminui.

Isso é bom para os mecanismos de busca.

Quando os rastejadores dos mecanismos de busca se esgueiram site por site, viajando pelos milhões de links que são feitos diariamente, eles associam os sites de destino às palavras usadas nos links dos sites de origem.

Assim, ao passar pelo link aplicado sobre as palavras Clique Aqui, o rastejador vai “pensar”: “hmmm… clique aqui equivale à página com artigo sobre trackbacks. Anotado.”

Com isso, diminui a chance de alguém encontrar aquele texto que é tão bom a ponto de você tê-lo indicado. Exagerando, essa pessoa teria mais chance se digitasse no mecanismo de busca “clique aqui”. Mas, ei, quando eu procuro um artigo sobre “trackbacks”, eu digito “trackbacks”.

Isso é bom para todos

O leitor sabe para onde está indo, o autor recebe um título secundário interessante para o seu texto e os mecanismos de busca conseguem indexar as páginas com mais precisão.

Se os mecanismos indexam com mais precisão, as chances de o leitor ser conduzido exatamente para a página que realmente se deseja é maior.

Se o autor recebe os leitores certos e eles ficam satisfeitos, ele também sai ganhando.

Todos ficam felizes. E você deu sua pequena, mas eficiente, contribuição para que isso acontecesse.

Os links são a estrada dos tijolos amarelos da internet. Jamais saia dela.

Tenha boas intenções, capetinha.

O que é melhor?

Linkar para um blog ou site popular na esperança de receber um link de retribuição ou linkar para uma página que realmente tenha alguma relação com seu artigo?

Eu ficaria com as duas coisas. Mas sem a esperança de receber um link de retribuição.

Isso é bobagem.

Minha curta, mas bem aproveitada, experiência com blogs demonstra que boa parte dos links para o seu site virá de outros sites que não aqueles aos quais você se linkou.

Às vezes, o link é retribuido. Mas não necessariamente. Jamais espere por isso.

No entanto, você poderá se espantar ao ver como diversos links vêm de outros editores de blog que decidiram indicar o que você escreveu. Sem que você jamais tivesse feito um link para eles.

Por quê?

Porque seu texto é bom e os seus links têm qualidade: antes de pensar em linkar em um site popular você linkou em um artigo que tem tudo a ver com aquilo de que você está falando. Prestou um serviço aos seus leitores. E muitos deles são editores de blogs.

Não vale forçar a barra.

Para mim fica muito óbvio quando alguém inclui um parágrafo em um texto só para oportunizar um link para um blog mais conhecido.

Isso vai parecer forçado e o leitor experiente sabe detectar esse tipo de artimanha.

Quem recebe o link também.

Além disso, seu texto vai ficar parecendo aquelas casas cujos donos vão fazendo puxadinhos sem projeto transformando seus lares em pequenos frankensteins arquitetônicos.

Pior ainda quando alguém escreve um artigo inteiro só para oportunizar um link. É feio, muito feio.

Resumindo. Repita comigo:

  1. Aplicarei o link sobre palavras que tenham significado correlato à página de destino.
  2. Farei links relevantes para enriquecer o meu texto e para o meu leitor.
  3. Farei links sem esperar outro link em troca e sem fazer biquinho se ele não for retribuído ou mesmo percebido.
  4. Não forçarei passagens de texto irrelevantes e mal escritas só para oportunizar um link.

Muito bem!

Mas isso é só o começo.

Postado em Blogs.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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