
Um amigo meu era regente de um coral cênico mantido pela Fundação Cultural de Curitiba.
Era comum que as amigas da mãe dele perguntassem a ela o que o filho fazia. Ela respondia:
- Ele é regente de um coral.
E as amigas:
- Certo. Mas ele trabalha com quê?
Para a maioria das pessoas a noção de trabalho está ligada a certos valores.
Recentemente concedi por telefone uma entrevista sobre blogs a um jornal de Goiânia. O repórter teve a delicadeza de me enviar por correio a edição.
A matéria ficou boa, mas notei que ele apresentou-me aos leitores como jornalista – minha formação e meu trabalho, durante parte do tempo – e não como editor de blog, como eu havia pedido.
Ele não fez isso por mal. Há uma razão para que tal coisa tenha acontecido.
A idéia de que uma pessoa trabalhe como editor – ou editora – de blogs ainda não entrou na cabeça das pessoas. Talvez eu mesmo, se estivesse escrevendo a matéria, teria algum receio de usar a designação “editor de blogs”. Aparentemente, não passa a mesma autoridade que o termo “jornalista”.
Mas para que essa idéia entre na cabeça das pessoas antes ela tem que sair da sua.
Não tenha vergonha de dizer o que você faz e de onde parte de sua renda sai – ainda que seja uma parte pequena no momento.
Ao contrário. Tenha orgulho.
Mas esteja preparado. Quando as amigas de sua mãe perguntarem o que você faz, certamente, ao ouvir a resposta, dirão:
- Mas ele trabalha com quê?
Eu já disse. Ele é editor de um blog.











