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Por que o teclado é “qwerty” e não em ordem alfabética

28 de fevereiro de 2009 | Publicado na Categoria O prazer de escrever | 8 Comentários »

De que o primeiro homem a tirar um veículo autopropelido do solo foi um brasileiro, Santos Dummont, não há dúvida. Embora nossos amigos ianques pareçam ignorar isso, preferindo a aeronave catapultada pelos irmãos Wright. Se dependesse dos americanos, não teríamos pistas de decolagem, mas imensos estilingues.

Mas do que mesmo nós esquecemos é que a máquina de escrever também nos foi legada por um brasileiro.

De mentiras históricas a História oficial está cheia. Outro fato semelhante foi o da invenção da máquina de escrever, cuja idéia genial está sendo usada até hoje no teclado dos computadores. Quem a inventou foi o padre paraibano Francisco João de Azevedo Júnior. Em 1861 a máquina de escrever do padre brasileiro já estava na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco. No entanto, em 1867, Christopher Latham Scholes passou à História como seu inventor. (fonte: Blog do DeRose)

Scholes no entanto é responsável pela ordem das letras no teclado como a conhecemos hoje, o famoso qwerty (as suas seis primeiras letras). Muitos se perguntam porque se usa esse padrão e não a ordem alfabética, por exemplo. Acontece que Scholes achou que seria muito mais prático agrupar as letras de acordo com os pares mais frequentes na Língua Inglesa (há controvérsias quanto a isso).

Admitamos que, para os falantes e escreventes da Língua Inglesa, é um bom critério. Acontece, no entanto, que o teclado virou padrão para todas as línguas e, no fim, todo mundo se entende mesmo assim.

Mas, sim, existem outros layouts de teclado, que não o qwerty, embora muito incomuns no Brasil:

Enfim, para mim, que aprendi sozinho a digitação com todos os dedos em uma prática Olivetti Lettera, seria uma droga ter que reaprender a digitar em qualquer um desses.

Como escrevi mais acima, ainda há dúvidas sobre o porque do uso da ordem qwerty nos teclados de Scholes e ninguém conseguiu concluir nada a respeito porque o desenvolvimento do tal layout foi mal documentado (por conta desse tipo de problema,  a importância que nossos amigos designers e programadores dão à documentação de projetos):

  • alguns dizem que foi usado o critério da frequência de ocorrência das letras em pares na Língua Inglesa
  • outros, que é justamente pelo fato de o layout ser mais inefeciente: reduzindo a velocidade do digitador, a frequência com que as barras das letras se embaraçariam seria menor; essa hipótese, em uma sociedade que preza a velocidade e eficiência, me parece absurda
  • outros, que as teclas foram arranjadas de maneira que, considerando-se sua frequência na língua inglesa, as hastes das letras se cruzassem menos vezes, reduzindo as chances de que ficassem encavaladas. Isto é: letras que costumam ocorrer juntas na língua ficam distantes no teclado (essa me parece a mais provável, embora quando criança eu gostasse de apertar várias teclas ao mesmo tempo para ver as hastes ficarem presas). Porém, se essa for a hipótese correta, a premissa está ultrapassada desde o tempo daquelas máquinas que usavam um pequeno globo para imprimir as letras. Que diremos sobre o teclado de um computador…
  • há quem diga que seria justamente para facilitar a vida dos vendedores: note como é fácil digitar “typewriter”; as letras estão todas na mesma fileira

Enquanto as pessoas debatem esses temas importantes, eu prefiro indicar coisas mais divertidas a você:

E aqui estou. Tentando dar um ponto final nisso usando o meu teclado qwerty.

Pessoalmente, com toda a tecnologia que temos, há muito tempo já acho essa interface muito primitiva para inserir dados. Espero que coisas melhores se popularizem em breve.

Uma curiosidade: quando Scholes patenteou o seu produto, pediu a produção em larga escala à fábrica de armas Remington. Não é interessante que a pena encontre a espada dessa maneira?

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8 Comentários para “Por que o teclado é “qwerty” e não em ordem alfabética”

  1. Lucas Araujo - 28 2 2009 às 14:02

    Para mim essa teoria do “layout ser mais ineficiente” não é tão absurda assim. Na época não devia existir o corretivo, e se você errasse no final de uma carta teria que digitar tudo novamente. Diminuindo a velocidade de digitação e os erros, a chance de fazer um trabalho de uma vez só aumenta.

    Abraço
    Lucas Araujo

  2. André Sala - 28 2 2009 às 16:26

    Olá, Alessandro, há quanto tempo! Resolvi dar uma passada e dei de cara com o seu texto explorando o enigma que intriga todos usuários de computador ou pessoas que simplesmente um dia tiveram que “catar milho”. Talvez a resposta para essa pergunta nunca seja conhecida, mas todos têm uma teoria que acreditam. Pessoalmente, sempre imaginei que a sequência aleatória com que as letras estão dispostas no teclado só poderia ter sido criada por alguém que não entendia o seu significado. Um analfabeto mesmo. Dessa forma, seria bem possível se fosse uma empregada desastrada que se vê obrigada a encaixar rapidamente as teclas da invenção que acabou de derrubar. Antes que o equívoco fosse desfeito, o padrão já teria se consolidado. Tudo bem, é uma história meio fantástica, mas garanto que se tivesse o brasileiro do Pernambuco que tivesse inventado, seria bem possível!

  3. Josafá Crisóstomo - 1 3 2009 às 9:23

    Achei o máximo esse post. Acho muito bom quando o seu texto, além de muito informativo (eu não sabia de nada disso), é tão bem humorado: a gente se pega rindo em diversas passagens. A verdade é que para quem gosta de teclar, saber dessas curiosidades todas em torno das teclinhas é muito bom. Parabéns.

  4. Ray-Sama - 1 3 2009 às 20:15

    Aloha!

    Pois é, vou comentar nesse post, e ninguém tasca!
    Adorei essa introdução. Não sabia desse “defeitinho de fábrica” na invenção gringa do avião… Mas sabe como é, patriotismo às vezes vira um problema grave e tampa a visão de mundo das pessoas.
    Ex: a imprensa. Inventada pelos chineses, aqui ela é aceita como se fosse coisa do Gutemberg. Aff!
    *Olha o que eu vou ter que aguentar!*

    Há também um rolo em relação ao rádio. Ondas de rádio haviam sido transmitidas e recebidas aqui no Brasil, por outro padre (padre inventa uma pá de coisas úteis. Veja a genética!). Mas até aí, Marconi era um “gatinho da época”, kkkkkkkkk!

    Acho que o cara tirou no “Cara ou Coroa” essa ordem de teclado. O chato é que eu já me acostumei. Ficou algo agora “universal”, seilámilcoisas!

    Eu tinha feito um curso de digitação. Eu ODIAVA-O! Aí eu fiz um acordo: pararia o curso se eu aprendesse sozinha. Tá que não sou lá aquelas coisas, mas dá pro gasto. Prática é com o tempo, né?

    Aloha!

  5. Mariana Ferraz - 2 3 2009 às 18:37

    suponho que seja a última razão, kkkkk! meu reflexo foi olhar para o teclado e digitar “typewritter” :D
    abraços

  6. Alessandro Martins - 3 3 2009 às 8:08

    André,

    você deveria aparecer mais por aqui com esses seus comentários malucos. Eu pensei sobre o assunto e, por incrível que pareça, mesmo sabendo digitar com todos os dedos, acho que não conseguiria colocar as teclas todas em seu devido lugar depois de desarrumadas… teria que fingir estar digitando algo para ver onde cada uma se encaixa. E isso sem olhar para o teclado… mistérios do cérebro…

    Abraços!

  7. Fabio Brito - PsychoPenguin - 3 3 2009 às 12:45

    Dizem que o Dvorak é mais confortável, eficiente, e etc… mas nunca experimentei. Existe até uma versão brasileira do mesmo. http://tecladobrasileiro.org/

  8. _Maga - 3 3 2009 às 20:52

    Eu sugiro ouvir a música A maquina de escrever, de Andersen. Se possivel na versão em choro do Altamirro Carrilho.

    Um abraço

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