Por que o teclado é "qwerty" e não em ordem alfabética

De que o primeiro homem a tirar um veículo autopropelido do solo foi um brasileiro, Santos Dummont, não há dúvida. Embora nossos amigos ianques pareçam ignorar isso, preferindo a aeronave catapultada pelos irmãos Wright. Se dependesse dos americanos, não teríamos pistas de decolagem, mas imensos estilingues.

Mas do que mesmo nós esquecemos é que a máquina de escrever também nos foi legada por um brasileiro.

De mentiras históricas a História oficial está cheia. Outro fato semelhante foi o da invenção da máquina de escrever, cuja idéia genial está sendo usada até hoje no teclado dos computadores. Quem a inventou foi o padre paraibano Francisco João de Azevedo Júnior. Em 1861 a máquina de escrever do padre brasileiro já estava na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco. No entanto, em 1867, Christopher Latham Scholes passou à História como seu inventor. (fonte: Blog do DeRose)

Scholes no entanto é responsável pela ordem das letras no teclado como a conhecemos hoje, o famoso qwerty (as suas seis primeiras letras). Muitos se perguntam porque se usa esse padrão e não a ordem alfabética, por exemplo. Acontece que Scholes achou que seria muito mais prático agrupar as letras de acordo com os pares mais frequentes na Língua Inglesa (há controvérsias quanto a isso).

Admitamos que, para os falantes e escreventes da Língua Inglesa, é um bom critério. Acontece, no entanto, que o teclado virou padrão para todas as línguas e, no fim, todo mundo se entende mesmo assim.

Mas, sim, existem outros layouts de teclado, que não o qwerty, embora muito incomuns no Brasil:

Enfim, para mim, que aprendi sozinho a digitação com todos os dedos em uma prática Olivetti Lettera, seria uma droga ter que reaprender a digitar em qualquer um desses.

Como escrevi mais acima, ainda há dúvidas sobre o porque do uso da ordem qwerty nos teclados de Scholes e ninguém conseguiu concluir nada a respeito porque o desenvolvimento do tal layout foi mal documentado (por conta desse tipo de problema,  a importância que nossos amigos designers e programadores dão à documentação de projetos):

  • alguns dizem que foi usado o critério da frequência de ocorrência das letras em pares na Língua Inglesa
  • outros, que é justamente pelo fato de o layout ser mais inefeciente: reduzindo a velocidade do digitador, a frequência com que as barras das letras se embaraçariam seria menor; essa hipótese, em uma sociedade que preza a velocidade e eficiência, me parece absurda
  • outros, que as teclas foram arranjadas de maneira que, considerando-se sua frequência na língua inglesa, as hastes das letras se cruzassem menos vezes, reduzindo as chances de que ficassem encavaladas. Isto é: letras que costumam ocorrer juntas na língua ficam distantes no teclado (essa me parece a mais provável, embora quando criança eu gostasse de apertar várias teclas ao mesmo tempo para ver as hastes ficarem presas). Porém, se essa for a hipótese correta, a premissa está ultrapassada desde o tempo daquelas máquinas que usavam um pequeno globo para imprimir as letras. Que diremos sobre o teclado de um computador…
  • há quem diga que seria justamente para facilitar a vida dos vendedores: note como é fácil digitar “typewriter”; as letras estão todas na mesma fileira

Enquanto as pessoas debatem esses temas importantes, eu prefiro indicar coisas mais divertidas a você:

E aqui estou. Tentando dar um ponto final nisso usando o meu teclado qwerty.

Pessoalmente, com toda a tecnologia que temos, há muito tempo já acho essa interface muito primitiva para inserir dados. Espero que coisas melhores se popularizem em breve.

Uma curiosidade: quando Scholes patenteou o seu produto, pediu a produção em larga escala à fábrica de armas Remington. Não é interessante que a pena encontre a espada dessa maneira?

Postado em Escrita.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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