Dia desses veio-me a frase: “O medo é para os corajosos. Os covardes o evitam”.
Admito. Uma frase um tanto digna do Almanaque Sadol, mas verdadeira. Veja: nada contra o Almanaque Sadol. Cresci lendo e bebendo esse tipo de coisa.
Mas, enfim. Verdadeira a frase.
Coincidência ou não – acredite se quiser -, no mesmo dia deparei com a seguinte passagem do livro Moby Dick, de Melville:
“Não levarei em meu bote”, dizia Starbuck, “quem não tiver medo de baleia.” Com isso ele parecia dar a entender não apenas que a coragem mais útil e digna de confiança é a que nasce da justa avaliação do perigo que se enfrenta, mas também que um homem inteiramente desprovido de medo é um companheiro muito mais perigoso do que um covarde.
Claro que a continuidade do romance dá mais pesso a essa passagem que, sem o contexto, poderia estar numa das falas dos Ursinhos Gummy.
Concluo assim que os covardes passam a vida inteira sem sentir um milésimo sequer do medo que um valente costuma









