Dizem que antes de um “sim”, muitos são os “nãos” a serem enfrentados. Esta é uma verdade da vida, e eu acrescentaria que a quantidade de “nãos” é diretamente proporcional ao tamanho do objetivo a ser alcançado.

Com meus trabalhos literários a coisa não tem sido diferente. Uma chuva torrencial de “nãos” sempre se precipita diante a uma tentativa de publicação. O mundo literário é um mundo amplo e complicado de se inserir, e isso percebo cada vez mais.

Mantenho meu blog como um canal de divulgação de ideias, pensamentos e visões que me pegam de súbito e as traduzo, latentes, em algum tipo de texto. Mas mesmo sendo um canal aberto na internet, o que muito facilita, há um grande trabalho por trás de cada texto para tentar expandir, ou mesmo garantir, sua divulgação. Entretanto, como é de conhecimento de alguns, o meu grande objetivo é a publicação de um livro (notem que mantenho o singular; o plural será em um segundo momento). E publicar um livro, antes de mais nada, exige uma série de difíceis tarefas além de sua elaboração propriamente dita.

Uma vez definido o tema, decorre-se um roteiro a ser tratado, a definição das personagens, as relações entre elas, os objetivos a serem atingidos e a consolidação da história em forma de livro. Parece simples, não? Mas entre estas atividades, tem o trabalho, tem a família, tem o cansaço do dia a dia e fica cada vez mais difícil encontrar algumas horas, ou minutos que sejam, livres para se dedicar a este trabalho. E ainda, normalmente, não é algo que, encontrado este tempo, senta-se diante do computador e põe-se a escrever. É necessário recapitular todo o conteúdo produzido, todas as ideias que o fundamentam e buscar a tal da inspiração que é lisa como bagre ensaboado. Mas tudo bem, entre trancos e barrancos sai o tal do livro. Ainda que em forma de original, como é tecnicamente chamado, é o tal do livro.

Só que isso não é tudo, talvez até este ponto tenha sido a parte mais fácil, ou menos difícil, pois é a partir daqui que começa a grande luta: encontrar um meio para a publicação. Digo “meio” porque hoje dispomos de algumas alternativas, mas o meu propósito é encontrar uma editora, nos moldes convencionais. É um longo caminho entre buscar por editoras, selecionar aquelas que se encaixe a linha editorial, estabelecer contato e enviar o original do tal do livro. Enviados os originais, só resta aguardar as respostas das editoras, quando vêm.

Em agosto, conclui o meu segundo romance e já o enviei para várias editoras. Na última sexta-feira já chegou o primeiro “não”! Por mais que seja ruim, um “não” ainda é melhor do que um silêncio; mas não deixa de ser um “não”, e um “não” sempre dá uma bambeada nas pernas. E esse “não” não foi o primeiro e também não será o último. Ainda mais considerando que o meu primeiro romance conseguiu todos os “nãos” possíveis.

Também deve ser considerado que uma editora não é uma ONG ou uma instituição de caridade, mas uma empresa. E como qualquer empresa visa, e precisa visar lucros para poder se manter, no mínimo, justificável.

Dentre os outros “meios” que temos, cada vez mais se destacam e se multiplicam as editoras que realizam todo o processo editorial sob custeio do próprio autor, o que costumo chamar de gráfica estilizada. Desta forma, qualquer obra pode ser publicada, com tanto que haja o financiamento por parte do autor, o qual, também, será o responsável pelo lançamento, divulgação, distribuição e venda. A vantagem deste método é que todo valor arrecadado com as vendas é cem por cento do autor; a desvantagem é que ele tem que arcar com todo o operacional, o que seria muito mais abrangente e efetivo se feito por uma editora e toda sua estrutura. Foi este o meio que usei com o meu primeiro livro e desde então outros meios têm aparecido.

Mas enfim, o negócio é aguentar firme e continuar a luta. Desistir? Jamais! “Água mole em pedra dura”, não é? Então, vamos que vamos…

Sobre o autor: Rafael Castellar das Neves

Nascido em Santa Gertrudes, interior de São Paulo, formado em Engenharia de Computação e um entusiasta pela literatura, buscando nela formas de expressão, por meio de crônicas, poesias, contos, ensaios e romances.