Eu me encontrei recentemente com a extraordinária poeta americana Ruth Stone, que está com 90 anos, e foi poeta a vida inteira e ela me contou que quando crescia no interior da Virginia, trabalhando na lavoura, ela podia sentir e ouvir um poema chegar até ela por sobre a paisagem. Ela contou que era como uma lufada estrondosa de ar que que descia atrás dela até o campo. E ela sabia que estava chegando, porque a terra tremia debaixo de seus pés. E ela sabia que só podia fazer uma coisa: que era, em suas próprias palavras, “correr como o diabo” e ela “corria como o diabo” até a casa como se estivesse sendo perseguida pelo poema, e ela tinha que pegar uma folha de papel e um lápis, bem depressa, de tal maneira que quando o poema passasse através dela, ela pudesse agarrá-lo e prendê-lo naquela página. Algumas vezes ela não era rápida o suficiente e apesar de correr e correr, ela não chegava ao papel a tempo e o poema atravessava o corpo dela e ela o perdia e continuava a seguir através da planície procurando, como ela dizia , “por um outro poeta”. Algumas outras vezes, e essa é a parte que eu nunca esqueço, ela falou que havia momentos em que o poema passava raspando e ela ia correndo até a casa atrás do papel e o poema a atravessava, e ela pegava o lápis no momento em que ele estava passando por ela e ela dizia que era como se ela o pegasse com a outra mão e o agarrasse. Ela pegava o poema pelo rabo, e o puxava de volta para dentro do seu corpo enquanto transcrevia a página e nessas instâncias, o poema aparecia sobre o papel perfeito e intacto, mas de cabeça para baixo, começando pela última palavra.
Pegando a poesia a unha
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