Leio o Noites Tropicais, de Nelson Mota – emprestado pela amiga Samira (ouça suas músicas) -, com o espírito bem diferente daquele com que li Chega de Saudade, de Ruy Castro.
E digo isso pouco depois de assistir Meia Noite em Paris, de Woody Allen.
No filme, temos um escritor de roteiros hollywoodianos que sonha ser um sério escritor de romances.
Ele imagina as glórias do passado de Paris, cidade que ora visita. Os anos 20 quando, em uma festa, você poderia encontrar no mesmo salão Picasso, Dali, Hemingway, Scott e Zelda Fitzgerald, Gertrud Stein e muitos outros.
Ele se inebria com toda essa história sem, no entanto, conseguir olhar, perceber, admirar e administrar o presente.
Quando li Chega de Saudade, tinha meus 18 anos e sonhava ter vivido aquela época, ter conhecido Vinicius e Tom (João Gilberto não, pois pareceu-me um chato de galochas).
Vinte anos depois, lendo Noites Tropicais, que fala não só da Bossa Nova, mas de outros momentos da música brasileira, a admiração por essas figuras e por aquele momento não é menor.Leio já como se, de fato, os conhecesse e estivesse recebendo notícias de velhos amigos.
Porém, a gana e o entusiasmo de estar vivendo este e não outro momento supera tudo.
Só os chatos de galocha não percebem que tudo de grande que pode acontecer acontece agora. Não antes. Não depois. Mas agora.








