O Park Shopping Barigüi fica no bairro Mossunguê, em Curitiba.
Há quem acredite que fica no Ecoville, mas tal bairro não existe.
Por aqui, as imobiliárias têm mania de mudar o nome das localidades a fim de as tornarem mais vendáveis. Assim, Mossunguê virou Ecoville (que não quer dizer nada) e o vizinho Bigorrilho virou Champagnat (que quer dizer menos ainda).
Nesta sexta-feira, eu passeava com Júlia pelo tal shopping quando vimos, na praça central do estabelecimento – onde normalmente acontecem eventos, mas agora estava vazia e convidativa à ocupação – , um pai sentado no chão com o pequeno filho, a brincar.
Tivemos apenas tempo de ficar admirados com a atitude exemplar do homem, desenvolto a divertir-se com sua cria, e logo uma segurança – das que usam microfone de madonna – se aproximou e pediu que ele se levantasse.
Obviamente não era uma atitude aceitável para o ambiente do shopping.
Talvez ela tenha recomendado ao pai que comprasse um brinquedo caríssimo de uma das lojas caríssimas e que, se quisesse sentar no chão com seu filho, que o fizesse em casa.
Fico imaginando, caso o pai estivesse gritando com a criança ou lhe dando umas palmadas, se ela interferiria.
Obviamente, o comportamento foi reprimido pois poderia servir de exemplo a outros pais.
Imaginou se todos os pais do mundo percebessem que não há nada demais em sentar na praça central do shopping, para brincar com seus pequenos?
Que ameaça ao bom andamento das vendas e à normalidade estabelecida.
E, depois, a sociedade fica se perguntando se video-games violentos podem ser prejudiciais às crianças.
O problema não está naquilo que se permite. Mas naquilo que efetivamente se nega.
E nessa cena, que durou segundos, algo foi negado.
O pai e o filho, o filho sobretudo, aprenderam: não se deve brincar no chão do shopping. Isso é muito, muito, muito errado.
Que me seja permitido, um dia, viver em um mundo onde pais e filhos possam sentar e brincar onde bem entenderem.









