Pais e filhos não sentam onde bem entendem no Park Shopping Barigüi
19 de maio de 2008 | Publicado na Categoria Outros assuntos | 21 Comentários »O Park Shopping Barigüi fica no bairro Mossunguê, em Curitiba.
Há quem acredite que fica no Ecoville, mas tal bairro não existe.
Por aqui, as imobiliárias têm mania de mudar o nome das localidades a fim de as tornarem mais vendáveis. Assim, Mossunguê virou Ecoville (que não quer dizer nada) e o vizinho Bigorrilho virou Champagnat (que quer dizer menos ainda).
Nesta sexta-feira, eu passeava com Júlia pelo tal shopping quando vimos, na praça central do estabelecimento – onde normalmente acontecem eventos, mas agora estava vazia e convidativa à ocupação – , um pai sentado no chão com o pequeno filho, a brincar.
Tivemos apenas tempo de ficar admirados com a atitude exemplar do homem, desenvolto a divertir-se com sua cria, e logo uma segurança – das que usam microfone de madonna – se aproximou e pediu que ele se levantasse.
Obviamente não era uma atitude aceitável para o ambiente do shopping.
Talvez ela tenha recomendado ao pai que comprasse um brinquedo caríssimo de uma das lojas caríssimas e que, se quisesse sentar no chão com seu filho, que o fizesse em casa.
Fico imaginando, caso o pai estivesse gritando com a criança ou lhe dando umas palmadas, se ela interferiria.
Obviamente, o comportamento foi reprimido pois poderia servir de exemplo a outros pais.
Imaginou se todos os pais do mundo percebessem que não há nada demais em sentar na praça central do shopping, para brincar com seus pequenos?
Que ameaça ao bom andamento das vendas e à normalidade estabelecida.
E, depois, a sociedade fica se perguntando se video-games violentos podem ser prejudiciais às crianças.
O problema não está naquilo que se permite. Mas naquilo que efetivamente se nega.
E nessa cena, que durou segundos, algo foi negado.
O pai e o filho, o filho sobretudo, aprenderam: não se deve brincar no chão do shopping. Isso é muito, muito, muito errado.
Que me seja permitido, um dia, viver em um mundo onde pais e filhos possam sentar e brincar onde bem entenderem.

Faço coro ao seu desabafo, achei indignante também.
Como impedir que coisas ruins aconteçam se não se permite que as coisas boas aconteçam, não é mesmo, Leonel?
Abraços!
Se fosse eu, nunca mais voltaria e nem gastaria um centavo que fosse no local!
Pode não fazer muita diferença pro estabelecimento em questão, mas pra mim faz!
Ah sim, e se puder escrever no blog, é claro que farei! :P
É revoltante , imagine quantos fatos semelhantes acontecem todos os dias e ninguém, nem a mídia (fora ti) comenta. Parece que hoje em dia tem que fazer campanha pra tudo, até pra bom senso.
Lindo seu texto, Alexandre, e sobretudo sua sensibilidade diante do fato. Quantas pessoas poderiam ver a mesma cena e continuar seu caminho como se nada fosse…
Compartilho das suas idéias e me identifico com sua indignação (sabe quando você lê um texto e pensa “eu poderia ter escrito isso”?): não poderia deixar de comentar.
Parabéns pelos blogs!
Vivemos numa sociedade pro família, desde que a ordem estabelecida não seja ferida. Pura hipocrisia, abraço.
Que triste. A sensação é de que estamos perdendo alguma coisa aqui, nesta sociedade da qual fazemos parte. O que exatamente está errado? Estamos nos tornando cada dia mais individualistas? Estamos dando valor às coisas erradas como o consumismo? Mas qual a essência desse nosso erro???
Uma cena dessas sintetiza bem a relação que os shoppings querem ter conosco: business. Até aí nada de errado. Só acho que isso daí deveria ficar claro também nos comerciais de Natal e fim de ano.
Pois é. Incrível como as coisas que o homem cria, depois se transforma numa fonte de mal estar, por causa de regras indigestas como esta.
@Anny: … engraçado é que a gentileza e complacência e tolerância com que ela falou aos dois me irritou mais ainda.
@André: Sorrisos, desde que não se sente no chão…
@Rodrigo: Vou ficar imaginando que o shopping quis proteger os dois de pegar uma friagem…
@ana lucia: pois é. poucos gestos foram tão familiares como aquele e, no entanto, ele foi reprimido.
@Nilva: Só uma correção, Nilva. É Alessandro, com dois SS. :-)
@Andrea: o pior é que não dá para ficar fazendo campanha para tudo…
@Neto Cury: é… já estava meio cansado daquele lugar…
Alessandro, desculpe a gafe. Estou sem palavras… :-(
@Nilva: Que é isso, Nilva. Acontece, né? Na dúvida, me chame de Ale! Beijos… do Ale.
É imbecil a maneira como seguranças tratam os visitantes dos locais, já fui reprimido num shopping por tirar uma foto, deveria ter analisado a questão legal disso, e se eu tivesse permissão deveria voltar para tirar mais fotos.
No museu Oscar Niemayer você adquire uma sombra quando entra em qualquer sala. O segurança não perde você de vista, uma atitude semelhante a ele ficar gritando “veja logo e saia daqui seu marginal”.
Sociedadezinha besta. To pegando raiva.