Se você não está familiarizado com a gloriosa história da Capital das Araucárias, vai imaginar que este post, vindo de um autor completamente careca, não passa de uma piada.
Mas é verdade. E aconteceu em Curitiba.
O episódio ficou conhecido como A Guerra do Pente e, para que você não duvide de mim, passo a narrá-lo segundo o artigo da Wikipedia sobre ele:
No dia 8 de dezembro de 1959, o subtenente António Tavares da Polícia Militar do Estado do Paraná comprou um pente pelo valor de quinze cruzeiros e exigiu o comprovante do comerciante libanês Ahmed Najar.
Acontece que o então governador do Estado, Moyses Lupion, iniciou uma campanha para aumento da arrecadação tributária chamada de “Seu Talão Vale um Milhão”.
Você juntava comprovantes fiscais de compra no valor de três mil cruzeiros e trocava por um cupom que daria o direito ao sorteio de um milhão de cruzeiros (que valiam mais do que dinheiro, segundo o Silvio Santos).
Porém, o comerciante não quis dar a nota fiscal.
Houve uma discussão entre eles e o comerciante fraturou a perna do Subtenente. Estava iniciado o conflito. Cento e vinte lojas de árabes, judeus, italianos e brasileiros, mas todos conhecidos como “turcos”, foram depredadas. Algumas delas totalmente destruídas. Todos os jornais, revistas, além da rádio registraram o acontecimento do primeiro dia e a espontaneidade com que tudo se iniciara. A revolta atingiu as lojas do centro da cidade, bares, bancas de revistas e carrinhos de pipoca, órgãos públicos como COAP (Comissão de Abastecimento e Preços); DFDG (Delegacias de Falsificações e Defraudação em Geral); Chefeatura de Polícia; Biblioteca Pública do Paraná; Edifícios do IPASE e a Agência do IAPC.
Os problemas na Palestina mal tinham começado naquela época e Curitiba não queria ficar para trás.
Não bastasse o que estava acontecendo, o exército resolveu dar o fim naquela parada toda.
Agora, caro leitor, raciocine comigo. A coisa começa por um pente e temos, agora, o exército nas ruas.
Os milicos botando pra quebrar
Os recentes acontecimentos em Londres teriam muito o que aprender com a Guerra do Pente em Curitiba.
Em pouco tempo, não interessava mais quem tinha começado a coisa ou qual era o motivo. O negócio era o conflito.
Dizem que os descendentes de poloneses curitibanos, arrancaram os lambrequins de suas casas para usar como arma.
A intervenção policial e de uma guarnição do Corpo de Bombeiros acirraram ainda mais os ânimos dos populares. Houve quebra-quebra generalizado por todo o centro curitibano. Com a intensificação da ação policial sobre o povo, aumentou-se a resposta em forma violenta, dispersando-a para outras ruas e praças.
O que essa gente queria afinal? Pentear macacos?
No segundo dia do levante, muitos dos “desordeiros” haviam sido presos. Porém, o movimento continuou com menor proporção. O Exército assumiu o comando de controle do tumulto, que parecia fugir das mãos da Polícia Civil e Militar, e teve um reordenamento de estratégia.
Tipo, um pente exigiu estratégia do exército.
Uma ação organizada de forte aparato bélico com pelotões de soldados armados de baionetas e metralhadoras esvaziou o centro da cidade, numa operação segurança comandada pelo Capitão José Olavo de Castro, da Polícia do Exército.
No terceiro e último dia do protesto, o Exército controlou a cidade. Pontos de ônibus foram alterados de local, realizou-se toque de recolher às 20h, medidas de um controle intenso do espaço público. O deslocamento ao centro da cidade já estava normalizado.
Se hoje no horário de rush o expresso Santa Cândida-Capão Raso fica complicado e entupido de gente, imagine como ele ficava naquela época de turbulência, guerra e sanguinolência.
Não é de hoje que os curitibanos buscam tranquilidade e sossego (leia sobre como Curitiba acabou com a baderna em um restaurante que tocava Jazz):
O Exército, sob comando do General Oromar Osório, manteve patrulhas que circulavam pelas ruas na tentativa de evitar a desordem. Os bares foram obrigados a fechar suas portas às vinte horas, por determinação da Delegacia de Segurança Pessoal. A ação do Exército, da Polícia Militar e Civil evitou maiores danos, que nas palavras de Pinheiro Jr, chefe de polícia da capital, “a polícia agiu com prudência segundo suas circunstância”.
Não é sempre que um general tem a oportunidade de mostrar seus conhecimentos táticos. Toda chance deve ser aproveitada. Que importa se o que deu início a tudo foi um pente?
Até a igreja interviu interveio:

Dizem que a Guerra do Pente teve influência sobre a escolha, décadas mais tarde, do primeiro papa polonês da história
Além da violenta imposição da paz armada, houve pedidos por parte das autoridades militares e religiosas. O Arcebispo Metropolitano D. Manoel da Silva Delboeux fez um “apelo à juventude para não comprometer-se nesta tragédia triste de vandalismo”, “a interferência do Exército determinou o encerramento da baderna predatória”.
E assim terminou a Guerra do Pente.
Se você ficou curioso, vale a pena campear o curta metragem A Guerra do Pente – O Dia Que Curitiba Explodiu, de Nivaldo Lopes, o Palito.
O que aconteceu ao subtenente e ao comeciante que começaram tudo? Não se sabe. Talvez tenham ficado amigos e viajado para um lugar mais tranquilo no Caribe.
O pente? Virou artigo de colecionador. Mas ninguém tem conhecimento de seu paradeiro.
















