Recentemente surgiu um debate aqui no blog Livros e Afins e eu assumi honestamente um dos lados propostos.

Sou, nesse caso, abertamente parcial. Tenho parcialidade. Neste, naquele e em outros milhares de temas.

No entanto, não deixei de publicar os dois lados da questão. Ainda que não fosse obrigado a fazer isso, já que além de haver o espaço dos comentários para as manifestações contrárias, as opiniões contrárias tem toda a internet do mundo para se manifestarem, referenciando os demais endereços onde o debate se encontra.

Diga-se, de passagem, que o espaço dos comentários só é censurado no caso de calúnia, infâmia, difamação e outras questões jurídicas (e de bons modos). Opiniões contrárias à minha são bem recebidas.

Blogs são espaços de manifestação pessoal. Pessoas tem opiniões. Opiniões, invariavelmente, são parciais.

Mesmo no jornalismo, as tentativas de relatar um fato pura, simples e depuradamente são parciais. Pois ao escolher os fatos, dentre tantos, estarei sendo parcial. Mesmo ao escolher relatar todos os fatos (se é que isso é possível), estarei sendo parcial. Pois escolherei a ordem em que eles aparecem no texto e como. Assim, eles denotam prioridades de acordo com esta ou aquela visão.

Imparcialidade é um mito que os grandes veículos tentaram vender até pouco tempo: sem assumir de que lado jogavam, revistas e jornais poderiam criar uma janela para a verdade. Como disse o amigo Jefferson Luiz Maleski:

Assumir uma posição não é ser parcial. Ser parcial é assumir que só existe uma posição.

Perturbado com uma reação negativa ao meu comportamento editorial que, sem nenhum peso na consciência julgo ético, coloquei-o sob julgamento de meus pares:

Fiquei muito feliz por ver o rosto e as palavras de meu professor de jornalismo Hélio Puglielli, uma das figuras mais respeitadas e queridas do jornalismo paranaense dando-me o seu aval.

A parcialidade ou não dos blogs é um assunto tão velho e superado que me dá até uma certa vergonha tocar nele novamente.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!