Eu já tinha ouvido falar desse fungo que contamina determinada espécie de formigas, as desorienta e as faz subir o mais alto possível para, depois de matá-las, melhor disseminar os seus esporos.
Mas, no mesmo dia, por coincidência, deparei uma matéria da revista Piauí – revista aliás muito bacana – em que o Toxoplasma gondii é apresentado de uma maneira bastante incomum.
Se ele altera o comportamento dos ratos para que eles fiquem mais propensos a serem devorados por gatos – o único lugar em que esse microorganismo se reproduz é no aparelho digestivo dos felinos -, o que faria no comportamento humano? É o que alguns cientistas vêm se perguntando ultimamente.
Muito há de folclore sobre o causador da toxoplasmose – doença fatal para fetos e para portadores do HIV e que faz com que alguns médicos recomendem às grávidas evitar o contato com gatos, pois as fezes desses animais podem transmiti-la. Porém, mesmo essa recomendação, alguns obstetras, veterinários e fãs de gatos consideram exagerada.
Mas também há muito para ser estudado ainda. Nenhum dado apresentado na matéria é conclusivo. No entanto, todas as informações são instigantes.
Mas eu não duvido de forma alguma que um microorganismo possa manipular o comportamento humano. Quem sabe até a cultura humana como especula o autor no texto, que afirma que dois terços da população brasileira estão contaminados e nem tem idéia disso.
A matéria cita outro exemplo de parasita que altera o comportamente de seus hospedeiros.
Lafferty estudava na ocasião um parasita chamado Euhaplorchis californiensis, que se apropria de moluscos comuns nas praias da região e, com eles, usurpa as entranhas dos peixes. Até aí, nada demais.
A novidade, para Lafferty, é que depois de infectados pelo Euhaplorchis os peixes dão para nadar de maneira estranha, quase na superfície, e de lado, como se fizessem questão de serem vistos de longe pelas gaivotas, maçaricos e outras aves marinhas. O que eles ganhariam com isso? Trinta vezes mais chances de serem comidos antes dos outros. É assim que o parasita viaja por via aérea para outras praias, em busca de caramujos frescos.
Acontece que o ser humano tem o hábito de se achar muito superior e muito esperto para ser influenciado desta ou daquela maneira por um bicho tão pequeno quanto o Toxoplasma gondii.
Eu tenho cá minhas dúvidas.










