Para os corruptos é bom não estarmos em Lilipute
10 de dezembro de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 6 Comentários »Continuo a ler As Viagens de Gulliver, de Swift, e permaneço a me perguntar por que não fiz isso antes.
Talvez porque as adaptações para animação na infância fossem meio chatas.
Enfim, observe a admiração com que o personagem descreve alguns aspectos legais de Lilipute, reino em que – para quem não sabe – os habitantes não têm mais que 15 centímetros de altura:
Consideram a fraude maior crime do que o roubo e, por conseguinte, raro deixam de castigá-la com a morte; pois alegam que o cuidado e a vigilância, aliados a um entendimento comum, podem preservar dos ladrões os bens de um homem, mas a honestidade não tem defesa contra uma astúcia maior; e visto serem necessárias perpétuas relações de compra e venda e operações de crédito, em que a fraude é permitida e tolerada, não havendo leis que as punam, o comerciante honesto sai sempre perdendo e o maroto, ganhando.
Tal se vê que os liliputeanos têm padrões éticos e estatura com medidas outras quando comparadas às nossas.
Com leis assim, nosso poder legislativo estaria inviabilizado. E, pensando bem, também nosso executivo e nosso judiciário. Não sobraria ninguém para fazer, aplicar e executar as leis.

Bom dia Alessandro;
Nesse final de semana iniciei, com um pouco de inquietação, a leitura do ‘Romance do início, ou Início do Romance’ de Marthe Robert. Ele é uma grande fã, aparentemente, do Swift, e dá uma visão muito interessante do assunto. Fiquei com a leitura dele programada logo após o término. A visão dela, é tão boa, a ponto de indicar a leitura para seu prazer. Se é que você não fica chateado com recomendações assim. Abração.
PS. Se tivéssemos humor tudo seria melhor. Digo pelo tom bem humorado do seu post, como sempre.
Já leu Sterne? Tristram Shandy é outro romance espetacular da época. Se não leu, fica a recomendação, é absolutamente fantástico e moderno, uma sátira perfeita aos costumes da época e ao ser humano em geral… Abraços
Eu sempre chego aqui na hora certa!! Lembro de Gulliver quando criança, nos filmes, infelizmente não tínhamos tantos livros assim, mas valeu muito a dica!!
E mais a dica dos livros prá ouvir, dia desses eu pensava que falta tempo prá ler alguns clássicos, agora não tenho mais desculpas!!
Valeu, beijos!!
E hoje, sobra quem?
bjos
(eu ainda não li este livro também! vai para a lista! rs valeu!)
Oi Alesandro: Fico triste quando penso neste assunto. Penso que a contruibuição que pude dar foi educar meus filhos com valores internos para abominar estes procedimentos que hoje vemos no executivo e no judiciário.
Bjos
ROUBAR VALE A PENA? – As leis das probabilidades, em última análise, são as que regem a “sociedade de lobos”. Explodiu um avião com 80 passageiros a bordo. Antes desse fatídico, 50.000 pessoas foram aerotransportadas sem que nada acontecesse. Como a margem de êxito é sobejamente superior à das tragédias, então, vale a pena voar de aeronave.
-Agentes públicos indiciados por corrupção – pouquíssimos tem seus bens confiscados…….
-É de apenas 15% os aventureiros clandestinos que viajam à Guiana Francesa, que são extraditados pelo serviço de imigração, ou que contraem malária ou são assassinados. Logo, compensa arriscar a busca pelo ouro naquele país.
-Nos assaltos, onde há as polícias mais eficientes, somente 10% dos meliantes são flagrados ou presos depois.
Os desonestos e arrivistas não precisam raciocinar para descobrirem que: do poder econômico é que emanam os demais poderes. Uma vez locupletados, não importando a forma como foram adquiridas suas posses, eles sabem que podem comprar as autoridades, cujas missões seriam de reprimir e julgar os delinquentes. Atualmente, todos os valores se incorporaram ao valor econômico. o próprio inconsciente coletivo já consagrou safado como sinônimo de inteligente, e honesto sinônimo de otário. As preferências se dão de modo manisfesto ou disfarçado: ao saber que um elemento vive de ilicitudes, ele vira alvo de cortejo de negociadores, obsediantes, garotas (inclusive, incentivadas pelos familiares dela) etc.
-No serviço público ou privado, voltados para a prestação de atendimento em massa, quase sempre, verifica-se uma diferença patrimonial enorme entre os empregados da linha meio (retaguarda) e os da linha fim (da vanguarda): aqueles servidores que detem o poder de decidir, deliberar, conceder, despachar, homologar, anistiar etc. Se de um lado do balcão há um cliente sedento de facilitação; da parte de dentro, existe alguém com o poder de descomplicar. Daí nascem as figuras: corruptor/corrupto.
* A indução pela competitividade – hoje tudo é muito disputado; a escassez de oportunidades leva as pessoas a estocarem e acumularem o máximo que puderem a todo custo. O amanhã, a cada dia, é prenunciado com mais incertezas e inseguranças. “Meus descendentes carecem de uma base de prosperidade……. Na minha velhice, eu preciso pagar para ser tolerado, e isso depende de grana…….”
-Uma coisa puxa a outra – os produtos de consumo modernos, por necessidade ou vaidade, vem surgindo como uma fonte de acessórios agregados: o televisor pede uma antena parabólica, esta pede uma assinatura sky etc., constituindo uma rede de consumismo progressivo e interdependente.
-Ademais, TRABALHO ASSALARIADO, já é repugnante pela própria nomenclatura. O vocábulo TRABALHO, Tripalium (três paus, em latim) era um instrumento de TORTURA no Império Romano. O termo, SALÁRIO, também de origem latina, era a cota de SAL que cada soldado romano levava para o front de batalha. Existe tortura mais salgada do que trabalhar?