Continuo a ler As Viagens de Gulliver, de Swift, e permaneço a me perguntar por que não fiz isso antes.
Talvez porque as adaptações para animação na infância fossem meio chatas.
Enfim, observe a admiração com que o personagem descreve alguns aspectos legais de Lilipute, reino em que – para quem não sabe – os habitantes não têm mais que 15 centímetros de altura:
Consideram a fraude maior crime do que o roubo e, por conseguinte, raro deixam de castigá-la com a morte; pois alegam que o cuidado e a vigilância, aliados a um entendimento comum, podem preservar dos ladrões os bens de um homem, mas a honestidade não tem defesa contra uma astúcia maior; e visto serem necessárias perpétuas relações de compra e venda e operações de crédito, em que a fraude é permitida e tolerada, não havendo leis que as punam, o comerciante honesto sai sempre perdendo e o maroto, ganhando.
Tal se vê que os liliputeanos têm padrões éticos e estatura com medidas outras quando comparadas às nossas.
Com leis assim, nosso poder legislativo estaria inviabilizado. E, pensando bem, também nosso executivo e nosso judiciário. Não sobraria ninguém para fazer, aplicar e executar as leis.








