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Para os corruptos é bom não estarmos em Lilipute

10 de dezembro de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 6 Comentários »

Continuo a ler As Viagens de Gulliver, de Swift, e permaneço a me perguntar por que não fiz isso antes.

Talvez porque as adaptações para animação na infância fossem meio chatas.

Enfim, observe a admiração com que o personagem descreve alguns aspectos legais de Lilipute, reino em que – para quem não sabe – os habitantes não têm mais que 15 centímetros de altura:

Consideram a fraude maior crime do que o roubo e, por conseguinte, raro deixam de castigá-la com a morte; pois alegam que o cuidado e a vigilância, aliados a um entendimento comum, podem preservar dos ladrões os bens de um homem, mas a honestidade não tem defesa contra uma astúcia maior; e visto serem necessárias perpétuas relações de compra e venda e operações de crédito, em que a fraude é permitida e tolerada, não havendo leis que as punam, o comerciante honesto sai sempre perdendo e o maroto, ganhando.

Tal se vê que os liliputeanos têm padrões éticos e estatura com medidas outras quando comparadas às nossas.

Com leis assim, nosso poder legislativo estaria inviabilizado. E, pensando bem, também nosso executivo e nosso judiciário. Não sobraria ninguém para fazer, aplicar e executar as leis.

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6 Comentários para “Para os corruptos é bom não estarmos em Lilipute”

  1. Djabal - 10 12 2007 às 10:29

    Bom dia Alessandro;
    Nesse final de semana iniciei, com um pouco de inquietação, a leitura do ‘Romance do início, ou Início do Romance’ de Marthe Robert. Ele é uma grande fã, aparentemente, do Swift, e dá uma visão muito interessante do assunto. Fiquei com a leitura dele programada logo após o término. A visão dela, é tão boa, a ponto de indicar a leitura para seu prazer. Se é que você não fica chateado com recomendações assim. Abração.
    PS. Se tivéssemos humor tudo seria melhor. Digo pelo tom bem humorado do seu post, como sempre.

  2. Marco - 10 12 2007 às 12:48

    Já leu Sterne? Tristram Shandy é outro romance espetacular da época. Se não leu, fica a recomendação, é absolutamente fantástico e moderno, uma sátira perfeita aos costumes da época e ao ser humano em geral… Abraços

  3. J@de - 10 12 2007 às 14:06

    Eu sempre chego aqui na hora certa!! Lembro de Gulliver quando criança, nos filmes, infelizmente não tínhamos tantos livros assim, mas valeu muito a dica!!
    E mais a dica dos livros prá ouvir, dia desses eu pensava que falta tempo prá ler alguns clássicos, agora não tenho mais desculpas!!
    Valeu, beijos!!

  4. _Maga - 11 12 2007 às 0:22

    E hoje, sobra quem?

    bjos

    (eu ainda não li este livro também! vai para a lista! rs valeu!)

  5. Anny - 11 12 2007 às 7:52

    Oi Alesandro: Fico triste quando penso neste assunto. Penso que a contruibuição que pude dar foi educar meus filhos com valores internos para abominar estes procedimentos que hoje vemos no executivo e no judiciário.
    Bjos

  6. BENIGNO ARAUJO DIAS - 3 6 2009 às 10:34

    ROUBAR VALE A PENA? – As leis das probabilidades, em última análise, são as que regem a “sociedade de lobos”. Explodiu um avião com 80 passageiros a bordo. Antes desse fatídico, 50.000 pessoas foram aerotransportadas sem que nada acontecesse. Como a margem de êxito é sobejamente superior à das tragédias, então, vale a pena voar de aeronave.
    -Agentes públicos indiciados por corrupção – pouquíssimos tem seus bens confiscados…….
    -É de apenas 15% os aventureiros clandestinos que viajam à Guiana Francesa, que são extraditados pelo serviço de imigração, ou que contraem malária ou são assassinados. Logo, compensa arriscar a busca pelo ouro naquele país.
    -Nos assaltos, onde há as polícias mais eficientes, somente 10% dos meliantes são flagrados ou presos depois.
    Os desonestos e arrivistas não precisam raciocinar para descobrirem que: do poder econômico é que emanam os demais poderes. Uma vez locupletados, não importando a forma como foram adquiridas suas posses, eles sabem que podem comprar as autoridades, cujas missões seriam de reprimir e julgar os delinquentes. Atualmente, todos os valores se incorporaram ao valor econômico. o próprio inconsciente coletivo já consagrou safado como sinônimo de inteligente, e honesto sinônimo de otário. As preferências se dão de modo manisfesto ou disfarçado: ao saber que um elemento vive de ilicitudes, ele vira alvo de cortejo de negociadores, obsediantes, garotas (inclusive, incentivadas pelos familiares dela) etc.
    -No serviço público ou privado, voltados para a prestação de atendimento em massa, quase sempre, verifica-se uma diferença patrimonial enorme entre os empregados da linha meio (retaguarda) e os da linha fim (da vanguarda): aqueles servidores que detem o poder de decidir, deliberar, conceder, despachar, homologar, anistiar etc. Se de um lado do balcão há um cliente sedento de facilitação; da parte de dentro, existe alguém com o poder de descomplicar. Daí nascem as figuras: corruptor/corrupto.
    * A indução pela competitividade – hoje tudo é muito disputado; a escassez de oportunidades leva as pessoas a estocarem e acumularem o máximo que puderem a todo custo. O amanhã, a cada dia, é prenunciado com mais incertezas e inseguranças. “Meus descendentes carecem de uma base de prosperidade……. Na minha velhice, eu preciso pagar para ser tolerado, e isso depende de grana…….”
    -Uma coisa puxa a outra – os produtos de consumo modernos, por necessidade ou vaidade, vem surgindo como uma fonte de acessórios agregados: o televisor pede uma antena parabólica, esta pede uma assinatura sky etc., constituindo uma rede de consumismo progressivo e interdependente.
    -Ademais, TRABALHO ASSALARIADO, já é repugnante pela própria nomenclatura. O vocábulo TRABALHO, Tripalium (três paus, em latim) era um instrumento de TORTURA no Império Romano. O termo, SALÁRIO, também de origem latina, era a cota de SAL que cada soldado romano levava para o front de batalha. Existe tortura mais salgada do que trabalhar?

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