Joel Laumans, do blog Piksels, causou alguma polêmica em seu blog ao divulgar uma lista de palavras inglesas supostamente inventadas por Shakespeare.
Segundo o editor do blog, o dramaturgo inglês teria inventado diversos vocábulos simplesmente transformando pronomes e adjetivos em verbos, entre outras técnicas.
Na verdade, o site de onde Laumans retirou a lista, não afirma que ele inventou as palavras, mas sim que em todas as suas peças, o bardo utilizou ao todo 17.677 palavras e, destas, 1.700 foram usadas pela primeira vez por ele.
A meu ver, isso não quer dizer que elas não fossem usadas popularmente antes ou que ele não as tenha ouvido em algum lugar antes de colocá-las no palco. O que não lhe tira o grande mérito de codificá-las, no entanto.
Para mim, Carlos Drummond de Andrade já disse tudo:
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero
há calma e frescura ma superfície intata
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
(A Procura da Poesia)
Portanto, por que se preocupar com quem inventa ou deixa de inventar as palavras – ou poemas – se elas já estão todas inventadas, só a espera de serem colhidas?








