Palavras que Shakespeare inventou; ou não

Joel Laumans, do blog Piksels, causou alguma polêmica em seu blog ao divulgar uma lista de palavras inglesas supostamente inventadas por Shakespeare.

Segundo o editor do blog, o dramaturgo inglês teria inventado diversos vocábulos simplesmente transformando pronomes e adjetivos em verbos, entre outras técnicas.

Na verdade, o site de onde Laumans retirou a lista, não afirma que ele inventou as palavras, mas sim que em todas as suas peças, o bardo utilizou ao todo 17.677 palavras e, destas, 1.700 foram usadas pela primeira vez por ele.

A meu ver, isso não quer dizer que elas não fossem usadas popularmente antes ou que ele não as tenha ouvido em algum lugar antes de colocá-las no palco. O que não lhe tira o grande mérito de codificá-las, no entanto.

Para mim, Carlos Drummond de Andrade já disse tudo:

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero
há calma e frescura ma superfície intata
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

(A Procura da Poesia)

Portanto, por que se preocupar com quem inventa ou deixa de inventar as palavras – ou poemas – se elas já estão todas inventadas, só a espera de serem colhidas?

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Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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