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Os formidáveis vendedores de livros: duas histórias verídicas

19 de novembro de 2009 | Publicado na Categoria mercado editorial | 6 Comentários »

Duas histórias contadas pelo Marcelo Barros, do Dois Espressos, nos comentários do post mais recente, em que escrevi sobre o atendimento nas livrarias.

Segue o control-cê-control-vê das histórias do Marcelo:

Situação 1 – Juiz de Fora, MG

Estava eu olhando livros em uma dessas livrarias-mega-store da vida quando uma funcionária abordou um comprador da fileira ao lado para oferecer ajuda:

— Bom dia! Está procurando algum livro específico?
— É… eu queria O crime do Padre Amaro.

A funcionária foi até um dos computadores da loja, acessou o sistema para procurar pelo livro e respondeu ao cliente:

— Hmmm… desculpe, estamos em falta. Quer que eu encomende?

Ao que cliente pensa e responde:

— Não, não… mas… tem alguma outra coisa do Padre Amaro?

*DIN-DIN-DIN-DIN-DIN* (som de alarme no meu cérebro).

Olhei discretamente para o adolescente com uniforme escolar que pedia pelo livro e, quando começava a lamentar o fracasso da educação brasileira, ouvi a funcionária responder:

— Padre Amaro? Deixa eu ver aqui no sistema…
— …
— Não, nenhum livro do Padre Amaro.

Situação 2 – Rio de Janeiro, RJ

Há umas 2 semanas minha mãe passeava por uma loja de CDs no Rio quando um senhor entrou e perguntou ao vendedor:

— Boa tarde… por favor, vocês têm CD ou DVD da Maria Callas?

O vendedor, com ar de quem pensa “nossa… que sujeito burro” responde:

— O senhor quer dizer Mariah Carey, né?… Um momento que eu vou buscar.

Cá entre nós: se fosse de propósito, seria coisa de gênio.

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6 Comentários para “Os formidáveis vendedores de livros: duas histórias verídicas”

  1. marcus - 19 11 2009 às 13:28

    Melhor resposta para o segundo vendedor: ¿Por qué no te callas?

  2. Lisandro Gaertner - 20 11 2009 às 3:06

    Já tive dois sebos e o perfil dos vendedores de sebo é extremamente diferente dos de livraria, apesar dos salários serem os mesmos. Então, acostumado com um atendimento decente, fujo das livrarias e acabo fazendo 99% das minhas compras em sebos ou pela internet.

    Para testar os novos vendedores do sebo, a gente costumava pedir para alguém ligar para a loja no primeiro dia e pedir a Bíblia de Gutenberg. Se o sujeito se dignasse a procurar estava fora.

    As histórias que você contou me fizeram lembrar de uma das últimas vezes em que pisei numa livraria de shopping:

    Cliente: Por favor, vocês tem aquele livro de roteiros do Glauber Rocha?
    Atendente: Só um momento, senhor, deixe-me ver no sistema.
    Cliente: Amigo, é Rocha. R-O-C-H-A, não R-O-X-A. E o nome é GLAU-ber e não GRAU-ber…

  3. Silvia - 20 11 2009 às 10:31

    Alessandro, pois vou te dizer que não conhecer Maria Callas não é “privilégio” dos vendedores brasileiros. Há muitos anos, estávamos passeando em Miami e meu sogro tinha pedido para ver se encontrávamos alguma coisa dela. O vendedor também achou que queríamos Mariah Carey.

  4. Ricardo Cintra - 27 11 2009 às 8:09

    Alessandro, boa tarde!

    Dizem que o brasileiro lê pouco. Será “verdade”?

    Há duas semanas eu indicava a uma estudante universitária (!!!!!!) o título Mauá e fazia alguns comentários superficiais acerca da relevância de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, seu pioneirismo etc.
    Minha frustração foi imensa, diante da pergunta que me fez a jovem: “Esse Barão de Mauá, é cantor de alguma banda?”
    Atônito, mas respeitosamente, eu disse à moça: “Não, não é um cantor, mas um dos maiores empresários que o Brasil já conheceu.”
    Recebi (da moça), então, outra frase, digamos, surpreendente: “Pensei que era um cantor ‘tipo’ Barão Vermelho, Cazuza…”
    Mais uma vez respeitosamente, encerrei a conversa … aturdido!!!!

    Deixo meu abraço.

  5. Anahí Flores - 29 11 2009 às 11:14

    Bom, por falar destas coisas, vou contar outro caso bem engraçado, que vivi uns quinze anos atrais com uma amiga minha queridíssima, da qual obviamente não darei o nome.
    Ia ter um concerto da ópera “A flauta mágica” num parque aqui em Buenos Aires, eu quis ir e convidei minha amiga a ir comigo. Contei que tratava-se de uma ópera super linda do Mozart, era uma boa oportunidade para ela entrar em contacto com este tipo de género.
    Ela me escutava e parecia estar quase convencida de aceitar o convite, e então fez o comentário memorável “Mas… é o Mozart que vai dirigir a orquestra?”

  1. [...] 29 de novembro de 2009 | Publicado na Categoria música | Sem Comentários » O post anedótico sobre atendimento em livrarias parece ter se transformado em um ponto de encontro para histórias engraçadas do [...]

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