O circense Orlando Orfei, um domador que entrava na jaula sem chicote ou cadeira, revoltou-se quando diversos estados e municípios brasileiros proibiram o uso de animais em circos.
Não que não reconhecesse que muitos circos não os tratavam bem (dizia tratar bem dos seus), mas percebeu que a legislação que determinou isso só foi possível porque a maior parte dos circos era, de fato, pequena, sem um poderio econômico por detrás.
Não entrarei no mérito de se acho justo haver circos que ainda explorem animais em seus espetáculos.
Não acho justo.
Mas não é essa a questão.
Orlando Orfei estava certo.
Com uma marca, publicidade e dinheiro como alicerce, um espetáculo que usa animais deixa de ser visto pela lei como um espetáculo e passa a ver um evento esportivo ou um festival cultural. Ou sei lá que mais.
Os mesmos motivos que proibiram uma categoria, misteriosamente, não são válidos para outra.
- Conheça a Lei nº 12467 DE 25 de Outubro de 2007 – Proíbe a manutenção, utilização e apresentação de animais em circos ou espetáculos assemelhados no Município de Curitiba e dá outras providências.
Por alguma razão igualmente misteriosa, também esquece-se facilmente que touros, novilhos e cavalos são tão animais quanto leões.
E assim é: Curitiba, uma cidade que, com justiça e ética, não aceita circos com animais em seus limites, facilmente aceita um rodeio.
Parece que a justiça e a ética só são aplicáveis em alguns casos.
E alguns animais são menos que animais.
Por outro lado, sem os animais o que seria do rodeio. Só restariam palhaços. Mas todos sem graça.












