O Twitter de 1975 por Cildo Meireles
28 de julho de 2009 | Publicado na Categoria Artes, design e arquitetura | 3 Comentários »
Ontem no curso de Fotografia, que estou fazendo no Paralelo Centro de Artes Visuais, a Nicole Lima mostrou-nos esta ideia de Cildo Meireles.
Para realizá-la, ele só precisou de um carimbo com os dizeres “Quem matou Herzog?” e todas as cédulas de 1 cruzeiro que passaram por sua mão.
Vladimir Herzog foi um jornalista assassinado pelos militares durante a ditadura, embora isso fosse negado. Na época, ainda que você não soubesse quem era e que assassinato era aquele, ao deparar uma nota carimbada, a pergunta estaria plantada em você.
E se espalharia como um meme no sentido clássico desse conceito. Por se tratar de notas de alta circulação, mais ainda.
O artista se apropriou de uma idéia popular, que é escrever em notas de baixo valor, para propagar uma informação – mais que isso -, uma dúvida importante.
A revista Isto É fez um perfil de Cildo Meireles em que se fala dessa ideia:
Meireles sabia que em 1975 ninguém rasgaria dinheiro para extinguir a dúvida da real causa da morte do jornalista Wladimir Herzog. Oficialmente, ele teria se suicidado na cadeia. Mas é claro que o artista e boa parte dos brasileiros não acreditaram na história. Essa verdadeira ojeriza aos meios de circulação oficial, seja de informações ou de valores, sempre moveu a obra de Meireles. E a sua trajetória também.
A informação “quem matou Herzog?” a um só tempo dava valor à nota e, por outro lado, a nota, de apenas 1 cruzeiro, dava lastro à informação.

Esta idéia esta mais para um google bombs do que para o twitter, pois o twitter só lança uma opinião, e o que o Cildo Meireles fez foi muito mais, ele espalhou a duvida, e a indignação e como uma bomba, seu estrondo ecoa até hoje.
Durval,
transferi o link que você havia colocado no rodapé de seu comentário para o seu nome. É só preencher os campos naturalmente que isso acontece.
Abraços!