O Twitter de 1975 por Cildo Meireles

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Ontem no curso de Fotografia, que estou fazendo no Paralelo Centro de Artes Visuais, a Nicole Lima mostrou-nos esta ideia de Cildo Meireles.

Para realizá-la, ele só precisou de um carimbo com os dizeres “Quem matou Herzog?” e todas as cédulas de 1 cruzeiro que passaram por sua mão.

Vladimir Herzog foi um jornalista assassinado pelos militares durante a ditadura, embora isso fosse negado. Na época, ainda que você não soubesse quem era e que assassinato era aquele, ao deparar uma nota carimbada, a pergunta estaria plantada em você.

E se espalharia como um meme no sentido clássico desse conceito. Por se tratar de notas de alta circulação, mais ainda.

O artista se apropriou de uma idéia popular, que é escrever em notas de baixo valor, para propagar uma informação – mais que isso -, uma dúvida importante.

A revista Isto É fez um perfil de Cildo Meireles em que se fala dessa ideia:

Meireles sabia que em 1975 ninguém rasgaria dinheiro para extinguir a dúvida da real causa da morte do jornalista Wladimir Herzog. Oficialmente, ele teria se suicidado na cadeia. Mas é claro que o artista e boa parte dos brasileiros não acreditaram na história. Essa verdadeira ojeriza aos meios de circulação oficial, seja de informações ou de valores, sempre moveu a obra de Meireles. E a sua trajetória também.

A informação “quem matou Herzog?” a um só tempo dava valor à nota e, por outro lado, a nota, de apenas 1 cruzeiro, dava lastro à informação.

Postado em Artes.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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