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O que você faria no lugar do Gabriel?

22 de agosto de 2008 | Publicado na Categoria Trechos de livros comentados | 16 Comentários »

Acabo de receber o livro de contos A Culpa É do Livro, do autor Gabriel Gómez, leitor deste blog.

São narrativas, como define o subtítulo, de amor, loucura e culto aos livros. Que, imagino, têm grande possibilidade de trazer assuntos aos posts deste blog.

Na introdução, ele oferece o trabalho a Jorge Luis Borges:

Conta-nos Gabriel:

Em três oportunidades diferentes tive o privilégio de ver e sentir a presença do escritor argentino Jorge Luis Borges em Buenos Aires. Todas, nos primeiros anos da década dos 80.

(…)

A terceira foi a última e a melhor… mas, lamentavelmente com o tempo chegou a ser a pior, devido ao aumento que o mesmo tempo lhe dá, ao exagero que lhe empresta.

(…) vi Broges sentado do meu lado com sua tradicional posição de segurar seu bastão com as duas mãos. Adianta querer descrever novamente minha surpresa?

Seu rosto se inclinava levemente, como procurando inspiração divina, olhando sem olhar o infinito da paisagem fantástica que nos rodeava.

(…)

Novamente não consegui lhe dizer nada. (…) O que um simples rapaz de vinte e tantos anos poderia querer com um gênio de mais de oitenta? (Com certeza voltaria a me responder como o fizera àquele repórter que também lhe manifestara ardentemente sua admiração, dizendo-lhe que era um gênio; “Não creia, senhor. São calúnias”). Não tive coragem. Fiquei o máximo de tempo que alguém poderia ficar sentado num singelo banco de praça e fui embora. Mesmo assim foi um momento inesquecível e eterno.

Hoje ele tem três livros autografados por Borges, um para cada ocasião em que decidiu ou não conseguiu abordá-lo.

Mas, independentemente disso, o que você faria se, de repente, você se visse lado a lado com o seu escritor favorito em um banco de praça, inesperadamente em uma situação cotidiana?

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16 Comentários para “O que você faria no lugar do Gabriel?”

  1. Silvio - 22 8 2008 às 9:15

    Eu teria uma reação parecida com a do Gabriel de pura contemplação à distância. Sou péssimo em tietagem… rs

  2. Regina Carvalho - 22 8 2008 às 11:46

    Não sou tão deslumbrada, talvez por viver entre escritores desde a infância. São criaturas iguais às outras, com talento diferenciado… Mas entendo o deslumbramento, ainda mais com Borges!

  3. Maicon - 22 8 2008 às 13:33

    Não só com este tipo de situações, onde o escritor fica frente a frente com seu leitor-admirador. Em geral perdemos muitas oportunidades de fazer, dizer ou demonstrar nossos sentimentos por acreditar que os momentos (únicos) poderão repetir-se sempre. A vida ensina e mostra que não. Se o arrependimento mata-se…

  4. Anna C. - 22 8 2008 às 14:10

    Meu escritor favorito é o Érico Veríssimo. Se eu o encontrasse num banco de praça e o reconhecesse, pediria desculpas pelo incômodo e diria que os livros dele alegraram dias infelizes da minha vida. E não pediria autógrafo – porque pra essas coisas eu sou tímida, acredite se puder.

  5. Michelle Müller - 22 8 2008 às 15:13

    Báh fiquei aqui pensando, pensando…. e acho que ficaria meio travada, não tenho muito isso de ter ídolos mas se eu tivesse a oportunidade de ter encontrado o Mário Quintana pela praça da Alfândega ou caminhando pela rua da Praia ia ficar só olhando de longe, que sabe roubar um foto!!

    ps.: Alessandro tu sabes onde tem pra vender o livro do Gabriel? Se puderes me avisa, quero um!

    estrelinhas coloridas…

  6. Alessandro Martins - 23 8 2008 às 14:43

    Ah, Michelle. Eu acho que eu ia dar bom dia e pronto… :-)

  7. Alessandro Martins - 23 8 2008 às 14:43

    Anna,

    acho que eu daria um aceno com a cabeça. Gosto no interior o modo como todos se cumprimentam ainda que sem se conhecer :-)

  8. Alessandro Martins - 23 8 2008 às 14:44

    Pois é, Maicon. É o que eu digo: NUNCA perca uma oportunidade. Abraços!

  9. Alessandro Martins - 23 8 2008 às 14:45

    Regina,

    talvez falar sobre o tempo… não sei. Nunca se sabe até onde se vai a partir de um “papo de elevador”…

  10. Alessandro Martins - 23 8 2008 às 14:47

    Silvio,

    eu também não sou muito de tietar. Abraços.

  11. Kaká - 9 10 2008 às 13:29

    Provavelmente um “bom dia” como diz o Alessandro mas, sem dúvida, o objetivo maior seria encontrar o brilho dos olhos e captar a energia que pudesse……

  12. Laura - 10 10 2008 às 11:27

    Naturalmente que não seriam os olhos de Borges seu brilho maior…..

  13. Alessandro Martins - 11 10 2008 às 18:37

    Kaká,

    entendo a intenção, mas no caso de Borges chega a ser engraçado falar em brilho dos olhos :-)

    Abraços!

  14. Alessandro Martins - 11 10 2008 às 18:41

    Laura,

    muito bem observado ;-)

    Abraços!

  15. Laura - 7 11 2008 às 9:09

    Acredito que os amigos sabem o que significa o uso de metáforas…… Com certeza a energia de Borges seria superior ao que mentes sem coração veriam em seus olhos….. Estou contigo Kaká.

  16. Alessandro Martins - 8 11 2008 às 12:10

    Laura,

    não tenho dúvida disso.

    Beijos do Alessandro.

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