O que um leitor espera de uma feira de livros

Sou apartidária, e se, por acaso, tomo partido em alguma coisa, possivelmente  não o faça pelas meras conveniências, é para falar da substância das coisas, por isso vou falar sobre a 30ª Feira do Livro de Brasília como leitora.

Fui visitar, averiguar in loco o que já haviam me alertado. Se já haviam alertado, pelo menos, da leviandade de falar o que vou falar gratuitamente, estou perdoada.

E a pergunta que formulo é O que o leitor espera de uma feira de livros? Qualquer feira, qualquer tamanho, qualquer proposta?

Não sei, não perguntaram, não a mim, não a outrem.

Nunca compareci a feiras famosas ou maiores, senão acompanhando os noticiários pela TV. Não sei, ao certo, quantas pessoas se empenharam nesse trabalho de organização, quantos projetos foram pensados, repensados, cortados. Portanto, o meu discurso pode tranquilamente ser tomando como meramente emocional, pessoal, particular.

Afinal, o leitor é isso: emoção.

O leitor é antes de tudo um apaixonado. Um daqueles que espera uma cortesia da literatura em seduzí-lo mais e mais e não apenas em verso ou prosa, mas em cheiro de livro novo, em acalento para se sentar e degustar, em acesso a tudo aquilo em que acredita ser literário.

Não me senti assim, não como leitora.

Comecei com o desânimo de ir a um local de acesso ruim. Tiraram por dois anos consecutivos já, a feira do Shopping Pátio Brasil aqui em Brasília, alegando que o evento cresceu demais, já foi cogitada a praça do Museu da República para a recolocação da feira do ano passado, mas a negativa veio da explicação dos alto custos para a instalação, mas um ou dois lugares cogitados, foi para dentro do Parque da Cidade, no Pavilhão de Exposições. Em todos os lugares um parque ou uma praça é um lugar central que une a cidade, mas não em Brasília. Aqui, não vou nem falar no sistema de transporte rizível, tudo é longe, inacessível para muitas pessoas. Carro aqui não é artigo de luxo, é necessidade, desse modo o primeiro problema é o acesso à feira.

Não vou me delongar mais, vou listar o que (des)acredito na feira:

- falta de limpeza na entrada;

- não vi monitores (e olha que havia alguns eventos diversos que careciam de explicação);

- muitas lojas de diversas coisas (artesanato, diversão, oficinas, alimentação), mas… e os livros?

- estandes apertados que forçavam o leitor a ser consumidor, intimidando à escolha dos livros;

- calor excessivo – qual leitor se sente confortável para ler, escolher e andar com os filhos num ambiente inóspito?

- falta de estrutura;

- acessibilidade;

- e, para o último, a feira ficou sem luz.

Vou parar por aqui…

Então, uma feira do livro não é apenas comércio e nem juntar um apanhado de gente e jogar dentro de uma caixa, esperando que outros se sacrifiquei em ir até lá ver seus trabalhos, oficinas, exposições feitos, com certeza, com carinho e expectativa ante o evento.

Todos ficaram mais que decepcionados, tristes, com certeza.

Para falar a verdade ficou um constrangimento…

Ficaram ainda uma série de questionamentos. Um deles é por que não consultaram a população a respeito do local? E outros tantos…

Vou parar por aqui e pensar ou tentar saber o que vai acontecer no ano que vem, para quem sabe, opinar como leitora sobre aonde meu sonhos esperam encontrar as letras.

Claro, houve pontos positivos, deveras, sobretudo das pessoas que foram lá falar sobre os seus trabalhos, ministrar suas oficinas, divulgar seus projetos, destaco dois:

- A professora Dinorá Couto Cançado, que há mais de uma década atua como voluntária de projetos educativos;

- E o castelinho INDI no reino dos Rs, iniciativa de uma escola do DF que mostrou diversas produções artístas das próprias crianças.

Outros questionamentos: há futuro para as grandes feiras dos livros?

Postado em Mercado.

Sobre o autor

Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.

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