O que Schopenhauer pensa sobre blogs
21 de abril de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins, O prazer de escrever | 13 Comentários »Encontrei esta citação no livro A Arte de Escrever, antologia de ensaios retirados da obra Parerga e Paralipomena, de Arthur Schopenhauer:
Antes de tudo, há dois tipos de escritores: aqueles que escrevem em função do assunto e os que escrevem por escrever. Os primeiros tiveram pensamentos, ou fizeram experiências, que lhes parecem dignos de ser comunicados; os outros precisam de dinheiro. Pensam para exercer sua atividade de escritores. É possível reconhecê-los tanto por sua tendência de dar a maior extensão possível a seus pensamentos e de apresentar meias-verdades, pensamentos enviesados, forçados e vacilantes, como por sua preferência pelo claro-escuro, a escrita não tem precisão nem clareza. (…) Assim que alguém percebe isso, deve jogar fora o livro, pois o tempo é precioso. (…) Qualquer um que precise de dinheiro senta-se à escrivaninha e escreve um livro e o público é tolo o bastante para comprá-lo. A conseqüência secundária disso é a deterioração da língua.
Eu poderia mostrar as palavras que poderiam ser substituídas a fim de melhor demonstrar como a citação faz jus ao título deste curto artigo. Mas, como já disse certa vez: para bom entendedor, meia palav.
Mais adiante, em outro ensaio, o filósofo alemão trata do tema da leitura e dos livros. Embora com isso eu saia um pouco do assunto, acho que vale a pena citar:
Seria bom comprar livros se fosse possível comprar, junto com eles, o tempo para lê-los, mas é comum confundir a compra dos livros com a assimilação de seu conteúdo.
Citarei outras passagens posteriormente, sobretudo aquelas em que ele afirma que para se ler mais é preciso se ler menos, como eu já disse por aqui certa vez.
