Continuo a ler a coletânea de entrevistas Viver e Escrever, de Edla van Steen. Na entrevista com Fernando Sabino, a primeira pergunta versa sobre como o mineiro pegou gosto por ler e escrever:
Por volta dos onze, doze anos eu já gostava muito de ler. Não havia televisão naquele tempo, não é? Gostava principalmente dos livros de aventuras, o que me despertava vontade de escrever histórias iguais. Quando contava a algum amigo uma história que havia lido, costumava inventar muito por minha conta. O que talvez já fosse uma vocação de escritor. O livro que mais me impressionou foi Winnetou, do escritor alemão Karl May. Vários outros de minha geração, como Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende também se maravilharam com esse livro fabuloso. Depois me cansei um pouco de aventuras de índios e passei para os romances policiais: Edgar Wallace, Sax Rommer, S.S. Van Dyne. Tentei imitar o estilo deles escrevendo contos policiais. Comecei a participar de concursos e ganhei um, da revista Carioca. Quem ganhou menção honrosa junto comigo foi uma menina chamada Lygia Fagundes.
Portanto, um livro de aventuras, guardadas as devidas proporções, como qualquer outro livro de aventuras recentemente lançado e cultuado ultimamente, seja lá qual for o gênero, foi o responsável pelo apego às letras de uma geração de escritores mineiros. Em maior ou menor grau.
Por isso, considero que não vale a pena criticar demasiadamente os best-sellers. Se para alguns eles são inócuos – alguns mais radicais dirão alienantes -, para outros podem fazer a diferença.
Hoje em dia, nem há uma edição recente para o tal Winnetou. O apache do rifle de prata.
- Leia mais sobre o autor Karl May na Wikipedia: as suas histórias eram tão detalhadas que muitas pessoas acreditavam que ele havia sido, de fato, um bandoleiro. Na verdade, ele era um estudioso das línguas dos nativos dos Estados Unidos










