O que diria Stephen King sobre blogs?
1 de dezembro de 2008 | Publicado na Categoria O prazer de escrever | 6 Comentários »Estou lendo a primeira edição de uma finíssima revista literária produzida aqui em Curitiba, a Arte e Letra: Estórias, da editora Arte e Letra.
O volume – com econômico e requintado projeto e qualidade gráfica – traz como primeiro texto uma curta crônica de Stephen King em que ele realata sua experiência como editor da Best American Short Stories 2007.
Ainda que empolgado com a incumbência de escolher os melhores contos daquele ano nos Estados Unidos – empolgação que eu só conseguiria transmitir se reproduzisse integralmente a crônica -, ele nota uma certa crise na narrativa curta.
Eis o que ele diz (e devo lembrar que trata-se de um dos maiores vendedores de livros de todos os tempos quem diz):
O que acontece com um escritor ou escritora quando ele ou ela percebe que o seu público encolhe quase diariamente? Bem, se o escritor vale o pão que come, ele ou ela continua escrevendo apesar de tudo, porque foi isso que Deus ou a genética decretou, ou por pura teimosia, ou talvez porque é uma diversão e tanto escrever histórias. Talvez seja uma combinação disso tudo. E isso é bom.
Este trecho é só uma introdução para o ponto a que quero chegar:
O que não é tão bom assim é que escritores – até mesmo os que alegam fazer pouco caso da reputação intocável de Shakespeare – escrevem para qualquer que seja o público restante. E, na grande maioria dos casos esse público consiste de outros escritores e de aspirantes a escritor, que lêem revistas literárias (incluindo a New Yorker, obviamente, o santo graal do jovem escritor de ficção) não para se divertirem, mas para terem uma idéia do que está vendendo. E esse tipo de leitura não é leitura de verdade, do tipo que você simplesmente não consegue esperar para saber o que acontece a seguir (pense em Juventude, de Joseph Conrad, ou Big Loira, de Dorothy Parker). É um tipo de leitura que mais parece uma sondagem. Existe algo de repugnante nisso.
É sobre contos, mas poderia ser sobre posts. É sobre escritores – em sua antiga acepção -, mas poderia ser sobre blogueiros (a nova acepção?). Troque as palavras certas pelas outras palavras certas (possivelmente, o termo hype entra em algum lugar aí) e você entenderá onde quero chegar.
Estamos aqui falando da diferença entre “o valer o pão que se come” – e é muito nobre valer o pão que se come – e o “algo de repugnante nisso”.
Recomendo também a leitura da nova série de Os Malvados que, embora enverede por outros temas relativos a blogs, também é de interesse:
- A primeira tirinha: Abra um blog, copie o conteúdo gringo e… bingo!
- A segunda tirinha: R$ 100 para elogiar uma fábrica de amianto?…
Os blogs ainda são crianças. Alguns dizem que eles já morreram. Eu acho que a questão é saber se eles passarão da adolescência e, mais, se chegarão a ser adultos decentes.

A poesia é um ato solitário, fruto do que há dentro de nós. Nesta segunda-feira, um projeto simples pretende imprimir na solidão da poesia um sentimento de coletividade, de coisa feita ombro a ombro. Trata-se do projeto Poema Dia, um blog (http://poemadia.blogspot.com/) no qual cada dia do mês é adotado por um poeta ou mini-contista que, neste dia específico, posta um trabalho de sua autoria.
Nossa nau partiu nesta segunda-feira (1º de dezembro) com 15 tripulantes, outros embarcarão pelo longo caminho. Singraremos os mares bravios da literatura e da sensibilidade. Convido-os a compartilhar esta viagem conosco.
É por isso que eu continuo escrevendo o que eu quero, o que eu sinto. Nem olho mais minhas estatísticas, são baixas demais. Escrevo porque preciso escrever, do contrário, morro.
Ele diria: “Quero ter um blog!”
Rs! não sei o que ele diria.
Carol,
e acho que é o melhor motivo para escrever…
Abraços do Ale…
Já li o iluminado e 1408, os dois livros que foram adaptados para filmes. Prefiro muito mais ler os livros dele, o cara sabe como contar uma história de terror. Grande escritor…