O que a escola tem verdadeiramente ensinado nos últimos séculos
18 de setembro de 2008 | Publicado na Categoria Trechos de livros comentados | 12 Comentários »Para mim é óbvio, há algum tempo, que o ensino de língua portuguesa, história, ciência e matemática é apenas uma fachada para o ensino de algo muito mais contundente.
Imagine.
Gerações e gerações de humanos potencialmente criativos sentados em carteiras desconfortáveis, durante horas, ao longo de anos, ouvindo alguém mais velho e supostamente mais inteligente sobre coisas que este mesmo alguém mais velho e supostamente mais inteligente vagamente entende. E que, vagamente, fará seus alunos entenderem. Eles não sentaram lá porque escolheram, mas porque alguém os levou.
Assim concluo que o que mais se aprende na escola atualmente é:
- suportar situações desconfortáveis por horas ao longo dos anos
- não questionar autoridades
- aceitar visões determinadas e fechadas do mundo
- criatividade é potencialmente perigosa e por isso deve ser podada
- você precisa aprender coisas de que não precisa e certas coisas, por outro lado, não precisam ser aprendidas
Não é à toa que, quando os índices de aprendizado estão cada vez menores, ninguém dá muita bola. Afinal, há coisas mais determinantes que permanecem a ser ensinadas sem nenhum entrave.
Quando colocar seu filho na escola, diga todo dia a ele para não levar todas essas coisas – matemática, história, geografia, língua portuguesa – muito a sério e tente ensiná-lo a enxergar o que há por trás delas.
Agora, me vem um personagem como Harry Potter, que estuda em uma escola que se diz mágica e tão somente reproduz o modelo de ensino das escolas tradicionais em tudo o que há nelas de pior? E trouxa sou eu?
Hogwarts já ouviu falar da Escola da Ponte?

eu concordo que as escolas em geral sao mto quadradonas, mas nao sei se esse modelo da escola portuguesa de fato funciona.
E me vem a “Another brick in the wall”…
Ah… como gostaria de ter estudado nessa “Escola da Ponte”. Não conhecia, mas parece ter alguma relação com o modelo de escola proposto por Goleman em “Inteligência Emocional”.
Outro dia mesmo estava lembrando de como detestava ir à escola! Mas, ironicamente, fui uma “boa aluna”… e isso não me serve, em nada!, para apagar a estranha sensação de “perda de tempo”. =/ E aliás, nem me serviu para muita coisa!rsrs…
Ótimo post!
Seu texto lembrou-me da entrevista do Tião Rocha na Caros Amigos de agosto. Vale a pena a leitura.
Abraços
Em São Paulo e no interior já existe escolas que adotam esse modelo . Inclusive, são orientadas pelo próprio criador e coordemador pedagógico, Profº José Padacheco, da Escola da Ponte. Temos na capital até mesmo uma escola da prefeitura que adotou essa abordagem. O sistema funciona muito bem!
Temos outras abordagens que tem dado certo no Brasil e são maravilhosas. Uma que vale a pena pesquisar é a abordagem Reggio Emília para educação infantil.
Elisa,
fico feliz em saber que o sistema já funciona por aqui e que funciona bem… adoraria um dia conhecer uma escola como essa.
Beijos do Ale.
Silvio,
se cair na minha mão faço questão de ler…
Abraços!
Sah,
mesmo o modelo tradicional de escola tem sua serventia sob certo ponto de vista. Vc pode aprender coisas que estão além do currículo oficial e além do currículo subjacente…
Beijos do Ale.
Mariane,
funciona. Mas talvez não sirva para passar no vestibular.
Por outro lado, a julgar pelos formandos que vemos por aí, será que o vestibular e as universidades ainda servem para alguma coisa?
Beijos do Ale.
Texto “curto e grosso”. É exatamente isso que acho do ensino tradicional.
Mas aí que tá, quando vão realmente levar a sério um sistema como o da escola da ponte (que eu conheço graças à irmã pedagoga… rs…)?
É de se pensar que o ensino “oficial” é algo dispensável… hmmm….
(cheguei aqui pelo link do insistimento)
Claudia,
obrigado por seu comentário e por dizer de onde você veio…
Talvez o ensino oficial não ensine, de fato, o essencial…
Abraços do Ale.
Opa Alessandro!
Reinventar o cotidiano da Escola é uma tarefa hercúlea… existe toda uma super-estrutura que impede ou dificulta pequenos movimento contra-hegemônicos…
Mas minha motivação em comentar este texto é que existe um curso a distância feito dinamizado pela Aquifolium Educaional sobre a escola da ponte:
http://www.aquifolium.com.br/educacional/ponte
PS: Não tenho nada a ver com o curso, mas já fiz curso na aquifolium e recomendo, só isso :-)
Sérgio,
acho que não viveremos para ver idéias como a da Ponte se espalharem por aí em profusão.
Talvez, em larga escala, nem seja possível…
Vou linkar o seu artigo em uma lista de links mais adiante, ok?
Abraços!