O leitor Allan Luis Pereira, do blog Cultura em Foco, deixou um comentário no post sobre a qualidade, ou má qualidade, do atendimento nas livrarias:
(…) Sou fornecedor de várias livrarias aqui em Curitiba, e o diferencial de atendimento está não só no salário dos colaboradores como na sua formação específica dentro das empresas. Algumas mantém bons programas de motivação, e um salário baixo, conseguindo ser, digamos, razoáveis. Outras, com um salário melhor, acreditam que por conta disso devem esfolar sua equipe com metas que só os diretores de alto escalão consideram factíveis, diretores aliás, que também não podem vender ou indicar um bom livro. É uma cadeia viciada que passa para gerentes, supervisores e vendedores, a responsabilidade por uma gestão saindo que deveria ser dos administradores. A incompetência reflete nas bases. Quem acaba frustrado é o consumidor. Afinal, depois de demitido ou saído voluntariamente, nenhum colaborador responderá pelo prejuízo que causou. Nem mesmo os diretores.
Por outro lado, um leitor que se importaria realmente com um atendimento diferenciado em uma livraria, não poucas vezes, já sai de casa com um título em mente. Já consultou amigos, leu um caderno especializado (se for sujeito de cadernos especializados), perguntou no Twitter (se for sujeito de Twitter) ou buscou indicações em blogs (se for sujeito de blogs). Ele apenas não quer ser importunado por um vendedor que tenta lhe empurrar o livro o Crime, daquele escritor religioso, o Padre Amaro.
Assim, talvez fosse uma boa idéia: na falta de bons vendedores ou na impossibilidade de investir nisso, as livrarias colocarem seus esforços cada vez mais em um bom self-service e em funcionários capazes de dar mais conforto ao cliente.
Mesmo porque, com a presença cada vez mais marcante dos ebooks (não se enganem: isso não é uma moda passageira), as compras através da internet e também muitos livros gratuitos de novos e interessantes autores, o relacionamento com o livro físico, como hoje o conhecemos, já começa ser outro.










