Nas eleições presidenciais de 1989, elegeu-se Fernando Collor – político conhecido por ter confiscado a poupança de milhões de brasileiros, por ter sido expulso do cargo e por ser carateca.
Quem lembra daquela época, sabe o poder das edições de vídeos. Dizem que a edição do último debate entre Collor e Lula, exibida no Jornal Nacional às vésperas das urnas, foi decisiva para o resultado, embora muitos digam que ela foi sim imparcial.
Independentemente de se ela foi parcial ou imparcial, só o fato de haver discussão sobre isso só demonstra que é reconhecido que uma edição bem feita pode transformar o significado de uma mera declaração ou até mesmo dos fatos.
Afinal, o que é a História senão a edição dos vencedores?
Enfim. Até mesmo uma edição tosca de vídeo pode causar enganos e enganos sérios.
A primeira vez que revi o Direito de Resposta de Leonel Brizola contra a Rede Globo, foi no blog do Inagaki. É um dos momentos históricos da tevê brasileira, quando a própria personificação da Globo, Cid Moreira, lê uma descompostura pessoal de Brizola para cima do diretor-presidente da organização, Roberto Marinho. O apresentador dá uma aula de como ser impessoal. O tom é o mais neutro possível, quase maquinal, sem interpretação, como se não estivesse ali.
Recentemente, tenho visto aqui e ali uma versão editada do mesmo vídeo em que se afirma que as palavras são do próprio Cid Moreira. Claro, sem a parte inicial em que se cita a lei que possibilita o direito de resposta e o autor da resposta. E também sem o final, quando é lida a assinatura.
Existe um princípio que deveria nos fazer optar – entre duas versões do fato – pela menos absurda. Claro que o senso comum acaba optando pela mais. E que, portanto, já é comum ver em blogs a publicação da segunda versão como verdadeira, incluindo a parte em que se diz que a partir daí surgiu a lenda de que os apresentadores do JN apresentavam o programa apenas com a parte de cima do terno.
Mais uma vez é importante ressaltar o papel dos editores de internet, de blogs e de portais. Mais do que nunca informações devem ser checadas, confirmadas e reconfirmadas. Ninguém está livre de enganos atualmente. Nem eu nem você.
Se uma edição tosca, que qualquer criança faria, pode dar problemas, imagine o que um profissional da área é capaz de provocar se quiser.
Não percam: daqui a alguns anos, a verdade – ou as verdades, pois não há como haver só uma – entrará em reforma.
Na verdade, já deve ter entrado.
Para melhor servi-los.










