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O paradima do emprego: você precisa ser um empregado?

10 de junho de 2009 | Publicado na Categoria Outros assuntos | 8 Comentários »

No post anterior, em que conto sobre a minha participação no Palavra na Tela no dia 25, falei da possibilidade de viver sem ser um empregado.

Na verdade, o que a maioria dos pais quer é que você faça a faculdade, a pós-graduação, o mestrado e o doutorado para que, finalmente, tenha condição de ser um bom empregado. A pressão continua até que, finalmente, até os 18 anos ou antes você já tenha assimilado a idéia. Eles não fazem isso por mal: pelo contrário querem sua segurança.

O fato é que existem alternativas.

Veja esta conversa entre a mãe de Balzac e o escritor (palavras hipotéticas mas muito plausíveis):

Balzac já havia escrito uma carrada de livros, era o mais lido em Paris e suas obras um sucesso pelo mundo afora. A essa altura sua mãe lhe disse: “Honoré, você não nasceu para escrever. Maldita hora em que enfiou essa idéia na cabeça. Você deveria ter um emprego regular e receber um salário, ao invés de viver cheio de dívidas e ser insultado nos jornais pelos críticos que o ridicularizam com suas caricaturas!”

Se ele tivesse ouvido sua mãe, possivelmente não teríamos A Comédia Humana.

Mantidas as proporções entre mim e Balzac, quando decidi viver apenas do que escrevo em blogs e afins, minha mãe ficou apreensiva. E olha que eu tinha 34 anos na ocasião.

Tomei essa decisão algumas horas depois de ter sido demitido (tive essa sorte e, além de tudo, o apoio da empresa em que trabalhava!) e, passado pouco mais de um ano não me arrependo. Fazer o que você gosta não tem preço, ainda que nem sempre a arrecadação do mês seja tão boa quanto eu gostaria.

Alguém vai dizer: “Sim! Mas o mundo precisa de empregados!”. E eu digo a você: isso pode até ser verdade, mas ignore o que essa gente diz e busque o que você gosta de fazer, com um mínimo de concessões. Se possível, não faça nenhuma concessão. Se o mundo precisa de empregados, você não precisa ser como o mundo, afinal.

Escrevi a quatro mãos com minha querida Júlia o discurso em homenagem aos pais na formatura de instrutores paranaenses de SwáSthya Yôga, cuja cerimônia aconteceu no ano passado. Na ocasião, ela se formava e fez a leitura do texto. É uma carreira gratificante, embora cheia de desafios (existe carreira gratificante sem desafios?). Mas que foge um pouco das expectativas habituais dos pais quanto ao que se supõe hoje como um “emprego seguro”. Por isso, decidimos por uma abordagem bem particular no discurso:

Porque nem sempre o caminho supostamente mais seguro é o melhor, mas a absoluta segurança do começo dele, proporcionada pelos pais, jamais deixa de fazer parte da trajetória toda.

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8 Comentários para “O paradima do emprego: você precisa ser um empregado?”

  1. Fernando - 10 6 2009 às 11:27

    Acabou de ganhar um leitor regular. Não sei o porquê.:)

  2. Thiago Gonçalves - 10 6 2009 às 12:49

    Cada ser vivo deve encontrar a sua forma de contribuir para o crescimento da sociedade. Isso se da de forma mais plena através do amor pelo seu oficio.
    O cultivo do amor pelo que se faz serve de solo fértil para a obtenção de frutos saudáveis.

    “…você não precisa ser como o mundo”
    A originalidade deve ser valorizada, pois sim, o diferente também é gente.

  3. Pri - 10 6 2009 às 13:21

    Maravilhoso Alessandro, é isso mesmo!
    Há um ano eu descobri um trabalho que me agradaria, então surgiu motivação pra me preparar pra tentar uma vaga na area, e lá vou eu fazer curso, investir tempo e dinheiro, coisa que nunca quis fazer antes quando o “alvo” era um cargo de executivo em alguma grande companhia, com o encargo de maximizar o lucro dos acionistas. Bem, meus pais ainda sonham com um cargo público, pouco trabalho, muita estabilidade e o salário no fim do mês.
    E eu louca pra arriscar num trabalho que, como disse um amigo, eu faria de domingo a domingo sem ganhar um tostão e com um sorriso no rosto.
    Só espero que a sorte esteja ao meu lado rs

    Abraços

  4. Ronaud Pereira - 10 6 2009 às 15:40

    Todo esse seu discurso resume bem toda a minha busca desde que cursei a faculdade. Já no meio do curso percebi que aquilo tudo era bem “faz de conta” e que a realidade era bem outra. Depois de algum tempo e leituras básicas como O Ócio Criativo e Pai Rico Pai Pobre, dentre outras, minha mentalidade sobre esse assunto mudou completamente. A grande pergunta é: O que é realmente seguro? Um emprego? Creio que não. O mais seguro me parece certamente se agarrar em seu talento e desenvolvê-lo com o tempo. Empregados sempre haverão, aos montes, mas talentos sempre serão escassos. Poucos conseguiriam se dar ao luxo de não ter um emprego. Não por sorte, e sim, porque poucos tem talento, originalidade e são pró-ativos e motivados o suficiente. Porque viver autonomamente dá tanto ou mais trabalho do que ser empregado. O que me paga não é nem poderia ser o dinheiro, mas a liberdade, não só em relação ao tempo, mas também a liberdade de se fazer só o que me é interessante.

  5. Camila Guido - 11 6 2009 às 11:10

    Acabo de conhecer seu blog e não resisti à pergunta “você precisa ser um empregado?” Fui logo lendo o texto e, bom, com 30 anos e um emprego estável (aquele com o qual muita gente sonha) que me faz cada vez mais infeliz, estou justamente avaliando a possibilidade de dar adeus ao cartão de ponto e começar uma nova vida, completamente diferente da atual. Não é uma decisão fácil e, nessas horas, enquanto a maioria das pessoas, assustada, arregala os olhos e diz “pense bem, pois não está fácil conseguir emprego”, é sempre um alívio ler alguém que diz “Fazer o que você gosta não tem preço, ainda que nem sempre a arrecadação do mês seja tão boa quanto eu gostaria.” Sempre pensei/senti assim e espero ter coragem e alguma sabedoria para dar à minha história um final feliz.

  6. Claudia Regina - 12 6 2009 às 12:05

    Ok. Pensamos e pensamos sobre o assunto e decidimos que queremos seguir a vida não tão segura de viver do que se gosta de fazer. Daí chegamos na dúvida: e se todo mundo fizesse isso, realmente, o que aconteceria com o mundo?

    A minha conclusão? A sociedade, a natureza, os seres humanos… todos se adaptam. Se todos resolvessem fazer o que gostam o mundo iria dar um jeito. Sem pessoas tristes sendo pagas para atenderem no caixa do supermercado as pessoas que gostam de criar soluções super tecnológicas iriam pensar em uma solução para ainda fazermos compras. Ou sei lá, iríamos abolir os supermercados e ir comprar tudo direto na fazenda?
    (e sim, pensei nisso na fila do supermercado rs…).

    Enfim, a sociedade iria se adaptar àquele monte de gente feliz.

    Acho que por isso não só “insisto” em fazer o que me dá imenso prazer (tirar fotos, programar blogs, etc rs) como sempre tento mostrar as vantagens disso pra todos e, quem sabe, plantar a sementinha do fazer o que se gosta e te apaixona. ^^

  7. Mylle Silva - 12 6 2009 às 16:46

    Olha só, visito esse blog há algum tempo e acabo de notar que você também é de Curitiba (ou região, hehe).

    Enfim, seu post veio de encontro com alguns dos meus últimos pensamentos. Sou formada em jornalismo mas nunca busquei um emprego na área, apenas atuo como jornalista de outras maneiras. Mantenho o blog Tadaima Curitiba (www.tadaimacuritiba.com.br) que é sobre Cultura Japonesa. Ultimamente ando me perguntando o que posso fazer com a jornalista em mim e ver alguém falando do assunto de maneira tão simples é bastante reconfortante.

  8. guilherme - 14 6 2009 às 10:44

    Quanto a questão de que fazer o que gosta tem de ser algo que nao seja empregado não é verdade, porque apesar de eu estar nessa de querer sair do meu emprego, eu sou feliz nele, gostaria de sair apenas pelo tempo disponível, e conheço várias pessoas que gostam de trabalhar como empregado, principalmente quando tem-se a possibilidade de crescer profissionalmente.

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