No post anterior, em que conto sobre a minha participação no Palavra na Tela no dia 25, falei da possibilidade de viver sem ser um empregado.
Na verdade, o que a maioria dos pais quer é que você faça a faculdade, a pós-graduação, o mestrado e o doutorado para que, finalmente, tenha condição de ser um bom empregado. A pressão continua até que, finalmente, até os 18 anos ou antes você já tenha assimilado a idéia. Eles não fazem isso por mal: pelo contrário querem sua segurança.
O fato é que existem alternativas.
Veja esta conversa entre a mãe de Balzac e o escritor (palavras hipotéticas mas muito plausíveis):
Balzac já havia escrito uma carrada de livros, era o mais lido em Paris e suas obras um sucesso pelo mundo afora. A essa altura sua mãe lhe disse: “Honoré, você não nasceu para escrever. Maldita hora em que enfiou essa idéia na cabeça. Você deveria ter um emprego regular e receber um salário, ao invés de viver cheio de dívidas e ser insultado nos jornais pelos críticos que o ridicularizam com suas caricaturas!”
Se ele tivesse ouvido sua mãe, possivelmente não teríamos A Comédia Humana.
Mantidas as proporções entre mim e Balzac, quando decidi viver apenas do que escrevo em blogs e afins, minha mãe ficou apreensiva. E olha que eu tinha 34 anos na ocasião.
Tomei essa decisão algumas horas depois de ter sido demitido (tive essa sorte e, além de tudo, o apoio da empresa em que trabalhava!) e, passado pouco mais de um ano não me arrependo. Fazer o que você gosta não tem preço, ainda que nem sempre a arrecadação do mês seja tão boa quanto eu gostaria.
Alguém vai dizer: “Sim! Mas o mundo precisa de empregados!”. E eu digo a você: isso pode até ser verdade, mas ignore o que essa gente diz e busque o que você gosta de fazer, com um mínimo de concessões. Se possível, não faça nenhuma concessão. Se o mundo precisa de empregados, você não precisa ser como o mundo, afinal.
Escrevi a quatro mãos com minha querida Júlia o discurso em homenagem aos pais na formatura de instrutores paranaenses do Método DeRose, cuja cerimônia aconteceu em 2008. Na ocasião, ela se formava e fez a leitura do texto. É uma carreira gratificante, embora cheia de desafios (existe carreira gratificante sem desafios?). Mas que foge um pouco das expectativas habituais dos pais quanto ao que se supõe hoje como um “emprego seguro”. Por isso, decidimos por uma abordagem bem particular no discurso:
Porque nem sempre o caminho supostamente mais seguro é o melhor, mas a absoluta segurança do começo dele, proporcionada pelos pais, jamais deixa de fazer parte da trajetória toda.






