O papel ou o papelão da editora Planeta no caso da biografia de Roberto Carlos

Muito se falou da responsabilidade de Roberto Carlos sobre a não permissão do comércio de sua biografia Roberto Carlos em Detalhes.

Até o escritor Paulo Coelho manifestou-se a respeito da atitude do fanho cantor.

Agora a poeira baixou um tanto. É hora de falar da outra interessada no caso, tão responsável quanto o biografado.

Como expliquei em artigo anterior, a justiça não se manifestou sobre a proibição ou não do livro. Tudo se deu através de um acordo entre a editora Planeta e Roberto Carlos.

A editora Planeta só vem mostrar que há muito essas entidades deixaram de representar os interesses dos escritores, dos leitores e da literatura e afins.

Para não ficar em um só caso, o Paulo Polzonoff Jr. também teve o seu perfil de Manuel Bandeira deixado de lado pela Relume-Dumará, que tremeu nas bases quando um parente do poeta se manifestou.

O autor da biografia Roberto Carlos em Detalhes, o jornalista Paulo César de Araújo, em algum momento disse que, conforme o acordado entre as partes – leia-se editora e cantor -, ele não poderia se manifestar.

Então amordaçado, Araújo fez somente – pelo que pude ler na biografia que se encontra para download facilmente na internet – um trabalho correto. Trata-se de um texto de uma pessoa que, claramente, admira ou admirava Roberto Carlos.

Além do recolhimento dos exemplares e da proibição do comércio do livro, os demais termos do acordo entre a editora Planeta e o cantor Roberto Carlos são desconhecidos. Valores que tenham circulado de lado a lado, por exemplo.

Aqui há duas hipóteses:

  • A editora teve medo do que viria a pagar em caso de derrota em um processo contra o fanho cantor.
  • A editora ficou feliz, recebendo algum valor da parte interessada no recolhimento das edições.

Não sei qual das duas possibilidades é pior. Creio que a segunda.

Mesmo a primeira, porém, não me parece tão justificável. Afinal, para conservar-se bem eticamente – coisa que, acredito, não tem preço -, a empresa precisaria apenas abrir mão do lucro de alguns de seus autores mais vendáveis.

Como Paulo Coelho. Você sabe. Aquele que manifestou-se contra a atitude de Roberto Carlos e até disse algumas palavras sobre a possibilidade de sua editora ter agido de maneira covarde.

Disse ele:

Gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de “contexto desfavorável”.

“Contexto desfavorável” foi a desculpa – um tanto misteriosa – usada pela editora para o acordo.

Mas, pelo que sei, os livros de Coelho continuam saindo pela Planeta.

Talvez o ex-mago tenha considerado, no momento, o contexto desfarável para deixar a empresa, ainda que ela seja pouco corajosa. Pouco corajosa para sermos eufemistas e não partirmos para termos que, como esse, não se aplicam a pessoas jurídicas.

A sugestão do advogado de Roberto Carlos de se reciclar o papel dos livros – e não queimá-los como de início se sugeriu – só me fez rir. Como se se tratasse de papel. Talvez o papel reciclado seja usado para imprimir livros de Paulo Coelho. Mas não sei nada sobre esses detalhes tão pequenos de nós dois.

A Planeta é só uma das editoras de um mercado cada vez mais fanho e do tempo em que usar ombreiras enormes era considerado algo bonito. Já existiu um tempo assim? Acho que não.

Novos tempos portanto.

Tempos em que escritores e leitores precisam confiar mais em si mesmos e menos naqueles que, como se vê, estão pouco interessados na leitura em si.

Postado em Livros e Afins.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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