Tenho recebido diariamente em meu email pequenos trechos do livro Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, não sem alguma emoção devo admitir. Isso é possível graças ao serviço LeituraDiária, cujo funcionamento já expliquei.
Falo sobre a emoção porque esses trechos de cinco minutos que recebo – mas que leio em menos tempo – parecem ter sido escritos por alguém que se dirige diretamente a mim. Como se fossem cartas ou mensagens em garrafas que, de alguma forma, vêm parar na minha caixa de entrada.
Um livro nada mais é do que isso. Uma mensagem em uma garrafa que atravessa o tempo ou os quilômetros ou a intransponível distância que há entre o universo de duas pessoas próximas – e tantos outros oceanos – para chegar até você.
Não um grupo de leitores. Mas um leitor. Você.
É a voz do de um autor que sobreviveu aos obstáculos e ruídos do mundo e que chega a seus olhos com a mesma forma que partiu de sua pena, de sua máquina de escrever, de seu teclado.
Milagres para serem milagres, não precisam ser misteriosos ou inexplicáveis ou místicos. Basta que aconteçam. E se você não costuma acreditar em milagres, saiba que acontece um quando você abre um livro. Ou o recebe por email. Ou o lê na tela do computador ou em qualquer outro meio que ainda será inventado.
Milagre. Mas chame esse fenômeno do que quiser.










