O Milton Ribeiro iniciou uma série com o imprescindível da Música com os respectivos links para baixar.
Se você ainda não está familiarizado com música erudita e quer se apaixonar ainda hoje, eu indico:
As Seis Suítes para Violoncelo Solo (1720), de Johann Sebastian Bach (1685-1750). A prova de que talvez o mundo seja um lugar mau é que há pessoas adultas que nunca tiveram contato com as Suítes para Violoncelo e mesmo assim estão vivas e respirando. Em minha opinião, o violoncelo é o instrumento de mais belo timbre que existe e Bach, fiel a sua obsessão de explorar temas e características de um instrumento até seus limites, dá voz clara a contrapontos, a ritmos inimagináveis, a timbres inesperados, de forma que pensamos estar ouvindo a mais de um instrumento.
Minha avó paterna, Dona Rosa, não era uma pessoa muito sofisticada – no sentido habitual que se dá ao termo -, mas certamente era alguém muito sensível.
Certa vez, quando eu fazia parte de um coral cênico, na adolescência (na adolescência a gente faz cada coisa), estava ouvindo o Gloria, de Bach, pois cantaríamos aquela peça em um espetáculo, embora o grupo fosse de caráter popular. Minha avó passava pela janela e, ainda que não tivesse a formação que a fizesse conhecer Bach e saber a conotação religiosa de algumas de suas peças, disse:
- Isso é música de Deus.
Não importa como você chame. Ou se chama. Ou se crê em algo.
A música de Bach toca em algo intocável. É o que preenche o espaço que há entre o dedo de Adão e do criador no teto da Capela Sistina.







