- Joãozinho, você tem um trabalho para casa. Monte uma apresentação sobre a história da Grécia Antiga, para ser entregue daqui a duas semanas.
- Ah, professor(a)!
Quem já não vivenciou um pedido semelhante que atire a primeira pedra. As tarefas de casa que tínhamos que fazer na escola eram, em geral, bastantes chatas.
Mas por quais razões?
Elas eram trabalhosas; tínhamos que nos deslocar à biblioteca do colégio; perdíamos horas de brincadeiras, em meio a diversos livros que nem sempre continham aquilo que procurávamos. Queríamos nos ver livre de tais responsabilidades, finalizar logo o estudo para nunca mais ter que fazê-lo.
Será que tais afirmativas não continuam sendo verdadeiras?
As atividades escolares, universitárias ou de pesquisa continuam sendo trabalhosas e ainda precisamos nos deslocar à uma biblioteca (seja ela virtual, física com ou sem cadastro. Continuamos querendo finalizar tal tarefa para não ter mais essa responsabilidade, no entanto percebe-se uma mudança significativa na forma como vemos o trabalho de pesquisa.
Semana passada assisti à um vídeo fantástico do escritor Isaac Asimov sobre o gosto pelo aprendizado contínuo.
No vídeo abaixo gravado em 1988, Isaac fala sobre a revolução do aprendizado. Comenta justamente sobre a intenção de aprender continuamente e discorre sobre a mudança no comportamento da humanidade no que diz respeito ao estudo.
Legenda: A revolução do gosto pelo estudo (se estiver apressado, veja a partir dos 5m26s).
Hoje temos a nossa disposição tantas fontes de aprendizado, que a resposta às dúvidas que temos está somente a alguns cliques de distância. A informação está mais acessível e, portanto, o aprendizado mais próximo.
O excerto abaixo vem do livro 1808, escrito pelo pesquisador Laurentino Gomes:
“Entre as fontes não convencionais, usei também um excelente serviço de audiolivros em inglês, o www.audible.com, que oferece mais de 30.000 títulos. Trata-se, nesse caso, de uma fonte bem mais confiável que a Wikipedia, uma vez que suas obras são apenas a versão sonora dos livros publicados em papel por algumas das mais renomadas editoras americanas e inglesas. (…) Usei, por fim, alguns serviços de podcast no site iTunes, da Apple. Ali estão disponíveis desde 2006, por exemplo, todas as aulas de graduação da Universidade da Califórnia em Berkeley. A lista inclui o curso completo de história da civilização europeia, (…) num total de 26 aulas (…).”
Para escrever o livro, ele precisou de 10 anos de trabalho assíduo de pesquisa. Usou diversos meios para obter a maior quantidade possível de informação confiável. Podcasts, audiolivros, artigos da Internet, bem como o bom e velho livro em papel.
Continua sendo trabalhoso, mas, no final das contas, menos complicado obter fontes boas para o esforço de pesquisa. Como consequência natural, desenvolvemos um gosto mais exacerbado pelo aprendizado ininterrupto.
A tecnologia aumenta as possibilidades, fornece-nos mais meios para atingirmos determinados objetivos. E, pela facilidade de acesso que temos hoje, percebemos que nosso gosto pelo estudo contínuo está maior. Queremos saber mais, vamos atrás, lemos artigos, blogs, Wikipedia, ouvimos audiolivros, podcasts, enfim, são tantas opções que é praticamente impossível não encontrarmos alguma com a qual não nos adaptemos perfeitamente.
Sabe-se lá o que teremos no futuro, mas que dá para imaginar conteúdos didáticos sendo exibidos de forma extremamente interativas, como que se fosse em laboratório, instigando o prazer pelo aprendizado contínuo nas pessoas, ah, isso dá.
É exatamente isso que estamos vivenciando. O vídeo abaixo, próximo dos 2m40s, mostra uma das possibilidades que iremos ter em curto espaço de tempo. Para explicar como uma usina eólica funciona, o demonstrador assopra um iPad para fazer a turbina girar e, então o livro mostra como a energia é gerada e distribuída. (clique aqui para ver no site do TED)
Legenda: Como serão os livros didáticos do futuro?
Não é fantástico? É extremamente interessante ver algo funcionando na medida que o evento acontece. Ao ver o vídeo, disparamos um estado emocional de receptividade conduzindo o aprendizado para uma área do cérebro que favorece a memória.
E a Matemática? Pouquíssimas pessoas gostavam e se perguntavam: “Quando é que vou utilizar isso na minha vida?”.
Então disse Dan Meyer, professor de Matemática para crianças: “Que tal se modificássemos a forma como damos aulas?”. (clique aqui para ver no site do TED)
Legenda: Como serão as aulas do futuro?
Ele dá um exemplo fantástico de como isso pode ser feito em sua palestra para um evento TED. A partir dos 7m19s temos um exemplo excelente que instiga o aprendizado e a resolução de problemas.
São alguns dos diversos exemplos que já temos hoje em dia sobre a interatividade fomentando o gosto pelo aprendizado contínuo na nossa vida. Interessante é imaginar onde isso vai dar. O céu é o limite.












