O filme Imortais e os gregos cristãos

O filme Imortais é até bonitinho e – se você assistir com fones de ouvido e tapando as legendas para não ler os diálogos e ignorar o enredo – é interessante.

Parece que alguém que trabalhou no filme 300 dirigiu ou produziu o filme, como gostam de destacar trailers e divulgações desse tipo de produção e, de fato, como naquela produção (baseada nos quadrinhos de Frank Miller, diga-se de passagem) visualmente há seus bons momentos.

No entanto, temos nesse filme a arte atuando no sentido contrário daquele em que é melhor aproveitada: um caminho para o outro, um caminho para entendermos outras pessoas, de outras épocas e culturas. Sejam elas distantes séculos ou dias, milhares de quilômetros ou metros, como é o caso daquela vizinha de quem costuma tomar uma xícara de açúcar emprestada (e que nunca devolve).

Para simplificar, temos deuses gregos falando de livre arbítrio e praticamente cristianizados. Eles ficam horas falando sobre não interferir na humanidade quando a mitologia grega é repleta dessas interferências. O bem e o mal se enfrentam, quando, esta noção seria outra entre os helenos.

Ao contrário, os deuses tinham lá suas maldadezinhas. Os titãs (que segundo a Teogonia de Hesíodo foi apenas o lado que perdeu a guerra), por sua vez, no filme são aprisionados de uma forma que, conceitualmente, lembraria a Zona Fantasma em que os inimigos do Super Homem foram presos pelo pai de Jorel.

Faltou somente Teseu ter sido crucificado no final ou algo assim.

Isso para ficarmos na fundamentação do argumento do filme. Se formos olhar para a superficialidade de alguns personagens e de algumas situações criadas perderíamos mais tempo do que necessário.

Dessa maneira, uma cultura rica e interessante e até fácil de ser entendida quando bem apresentada (afinal, a cultural ocidental contemporânea é herdeira dela, para bem ou para mal) é totalmente adaptada para algo ainda mais palatável e compreensível.

O que esse filme diz é: ei, não precisamos entender os outros. O nosso próprio entendimento do mundo é suficiente, único e verdadeiro.

Parece simples, mas é desse tipo de pensamento que surgem as guerras. Qualquer guerra.

Para completar, o filme é 3D, essa coisa criada só para deixar os ingressos mais caros e colocarmos óculos estúpidos na cara.

Postado em Artes e design.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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