O ferreiro versus as marcas do tempo, em Moby Dick

O capitão Ahab pede para que o ferreiro lhe faça um arpão a certa altura do livro Moby Dick, de Hermann Melville.

Desse encontro, surge o seguinte diálogo:

- E suponho que podes endireitar quase todas as rachas e dentes, pouco importa a dureza do metal, ferreiro?

- Sim, senhor; acho que posso; todas as trincas e dentes exceto uma.

- Olha aqui então – exclamou Acab, adiantando-se com veemência, e apoiando-se com as duas mãos nos ombros de Perth -, olha aqui – aqui – podes endireitar completamente uma trinca como esta, ferreiro? – e passou uma das mãos pela testa enrugada; – se podes, ferreiro, porei satisfeito a cabeça em tua bigorna, e sentirei entre os olhos o mais pesado de teus martelos. Responde! Podes endireitar esta trinca?

- Oh! é a única, senhor! Não disse que eu podia endireitar todas as trincas e dentes, exceto uma?

- Sim, ferreiro, é a exceção; sim, homem, é inaplanável; pois, embora só a vejas em minha pele, infiltrou-se no osso de meu crânio… ele está cheio de vincos!

E certamente, no caso de Ahab, os vincos iam para além do crânio. Mais profundamente. Na alma, quem sabe.

Não fosse isso, hoje em dia, nada que um botox básico, uma intervenção cirúrgica não resolvesse. Afinal, ele não disse que colocaria a cabeça entre uma bigorna e um martelo?

Ora, um bisturi é muito mais sutil.

Postado em Minhas leituras.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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