O Emílio, de Rousseau: uma visão inovadora da educação
14/10/2008Só eu acho absurdo tantas universidades – e alguns jardins de infância também – se ufanarem por preparar seus alunos “para o mercado”?
Júlia Rodrigues publicou em seu blog um trecho de O Emílio, de Rousseau, em um belo artigo que toca nesse ponto:
Arrastados pela natureza e pelos homens a caminhos contrários, forçados a nos dividir entre esses diversos impulsos, seguimos uma composição que não nos leva nem a um nem a outro objetivo. Assim, combalidos e errantes durante toda nossa vida, terminamo-la sem termos podido entrar em contato com nós mesmos, e sem termos sido bons nem para nós nem para os outros.
(…)
Na ordem natural, sendo os homens todos iguais, sua vocação comum é a condição de homem, e quem quer que seja bem educado para tal condição não pode preencher mal as outras relacionadas com ela. Pouco me importa que destinem o meu aluno à espada, à igreja ou à barra. Antes da vocação dos pais a natureza o chama para a vida humana. Viver é o ofício que quero ensinar-lhe. Ao sair das minhas mãos, concordo que não será nem magistrado nem soldado nem padre; será Homem em primeiro lugar; tudo o que um Homem deve ser, ele será capaz de ser e, se preciso, tão bem quanto qualquer outro; e, ainda que a fortuna o faça mudar de lugar, ele estará sempre no seu.
A certa altura, antes dessa citação, Júlia solta a seguinte frase que considero fundamental: “Percebi que, durante anos de estudo, não pude escolher o conteúdo de meu próprio aprendizado.”
Mais uma vez: só eu acho essa condição, à que submetemos diariamente os filhos e filhas de nossa sociedade, diariamente, absurda?
Notável que uma noção tão moderna de Educação venha do século XVIII.





9 comentários
A meu ver não somos preparados nem para o mercado. Por exemplo: estudei matemática financeira por anos e quando vou as compras não sei fazer um cálculo. Acho que falta contextualização. Bjs
Báh Alessandro que questionamento pertinente hein?! Ainda mais no dia de hoje, que é vendido como o dia do professor, e eu sou professora, mas sabes tenho segundo meus superiores e mantendores das instituições onde trabalho um defeito gravíssimo, sou professora e contestadora… sabes que já perdi o emprego uma vez por ousar fazer este tipo de questionamento?! Penso ser inadmissível que sempre busquemos na educação um meio para continuar reproduzindo o que a sociedade tem de pior, sem nem ao menos darmos brechas para que os estudantes possam ser ativos em seu processo de construção do conhecimento, neste ponto Júlia está coberta de razão, mas quantos será que se dão conta de que forma meros espectadores de sua formação?!
estrelinhas coloridas pra ti…
Mi
Caro Alessandro,
como vai a Pote de Mel?
Ainda ando em defasagem com o blog, mas te convido a ler uma de minhas maiores aventuras jornalísticas, a reportagem “Senhoras de Programa”.
http://www.materiaspublicadas.blogspot.com
Saludos,
Rafael Urban
Rafael,
já agendei um link aqui e no Cracatoa. Você tem que aprender a usar permalinks, rapaz!
O link preciso é:
http://materiaspublicadas.blogspot.com/2008/10/senhoras-de-programa.html
Abraços!
Rafael,
a propósito, não deixe de inscrever esse link (use o permalink, não esqueça) no UEBA. Vai te dar muitos acessos caso vá para a capa…
Abraços!
Mi,
quando escrevo esse tipo de artigo sei que às vezes estou falando com professores que condordam comigo. Muitos tentam fazer algo e quebram a cara, outros nem tentam. Mas embora eu não me refira a eles (você) – de outra forma teria que me referir sempre -, é uma forma de me solidarizar com eles…
Beijos do Ale…
Ana, hahaha! Não tinha entendido o trocadilho… rs. Beijos do Ale!
Alessandro,
muito obrigado pelas dicas.
Já visitei e deixei o link la no Uêba.
Ah! E o brigado pela sugestão do Permalinks.
O trecho do livro transcrito pela folha de São Paulo, no caso dos jovens de classe média espancarem aquela empregadoa doméstica. Perdi o recorte de jornal e gostaria muito de ter esse trecho do livro ao menos no meu email.
……um cidadão ao estado
……um homem a sociedade não seria, só para daor um gancho