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J.K. escreveu seu novo romance policial usando um pseudônimo, Robert Galbraith. Utilizar pseudônimo não é nenhuma novidade para a autora, Ela escreveu Harry Potter, utilizando apenas suas iniciais, com medo de sofrer com algum tipo de preconceito por ser uma mulher escrevendo sobre fantasia. Foi por uma sugestão de sua editora que Joanne Kathleen Rowling, virou J.K. Rowling.

Consagrada como a escritora mais vendida nos últimos tempos, J.K. terminou com a série Harry Potter e resolveu se afastar das histórias que envolvessem o mundo mágico, escreveu o conto de mistério, Morte Súbita, que até foi bem vendido, mas acabou sendo muito criticado, e que eu particularmente achei terrível.

Ela mudou de nome, virou um homem e lançou The Cuckoo`s Calling, lançado em Abril na Inglaterra e que se quer tinha previsão de chegada ao Brasil. Até a data do vazamento da notícia de que Robert era na verdade J.K. o livro tinha vendido menos de 1.500 cópias impressas e estava longe de ser um dos mais vendidos para e-readers pelas lojas especializadas como a Amazon. Ao final do dia em que a notícia foi dada, o livro já era o mais vendido como ebook e estava esgotado em todas as livrarias de Londres, passando de 5.000 cópias vendidas em uma semana, número que só não foi maior por que as livrarias também não se interessavam em ter muitas cópias do livro do Novato Galbraith.

A sua chegada ao Brasil foi tardia, até dia 14/07, data no qual foi descoberta a notícia, o livro se quer tinha editora para ser traduzido para português, chegou em nossas livrarias apenas no começo de Novembro e já é líder em todas as listas de vendas no país.

Ao contrário do seu primeiro romance policial, O Chamado de Cuco é escrito de uma maneira muito fácil, que me cativou, eu não conseguia largar o livro pois queria saber o seu final logo. São mais de 400 páginas, bem escritas, com diálogos fáceis, que passam realidade e que me puxaram para dentro da história.

O livro aborda a história do detetive Cormoran Strike, fálido, abandonado pela mulher, com apenas uma cliente, ele mora no próprio escritório, não consegue pagar se quer o salário para uma secretária e acaba utilizando-as apenas no seu período de experiência, até que um ricaço bate à sua porta pedindo que investigue o possível suícidio de sua irmã, que ele acredita ter sido na verdade assassinada.

Strike recebe em seu escritório a secretária Robin, uma jovem prestativa e sagaz, e não consegue se desvencilhar dela, acaba fazendo um acordo para que ela trabalhe para ele mesmo sabendo que ele não poderia pagar o salário que ela merece.

Os dois juntos formam uma ótima dupla e confesso que torci para que rolasse um romance entre eles, o clima de amor platônico, de um não querendo se envolver demais com o outro acaba sendo um detalhe a mais na trama, o que a deixa ainda mais interessante.

Não achei o livro cansativo, como tinha achado “Morte Súbita”, a história segue exatamente o curso que deve seguir, sem se ater muito em cenas que não valem a pena e descrevendo exatamente o que o leitor quer saber sobre o que está acontecendo.

Achei o final interessante, nem surpreendente a ponto de ser algo inimaginável ou até mesmo inacreditável, nem algo tão banal que você descobre antes mesmo de o autor revelar.  A explicação para o final é completamente plausível, e a maneira como o detevive chega a conclusão também é bem concebível, ele não precisa virar o Super-Homem para descobrir o que aconteceu, usa os caminhos certos para descobrir a coisa exata.

O livro é daqueles que me prendeu ao ponto de eu querer que ele não acabasse, e espero que não acabe, pela maneira como o livro termina e pelo que tem dito a imprensa literária, acredito que estamos vendo o nascimento de mais um grande detetive. J.K. já nos apresentou o mago do milênio e pode estar nos mostrando o primeiro Sherlock Holmes do novo Século.

E para quem imagina que tudo não passou de jogada de marketing e que a descoberta do pseudonimo poderia ter sido algo brotado pela própria escritora ou pela editora, Rowling ganhou uma indenização, cujo valor não foi revelado, do escritório de advocacia que divulgou a história toda.

Na minha opinião ela ficou frustada com as críticas com seu primeiro livro policial, também sofreu muito com o preconceito de quem não gostava de Harry Potter. Mas sem dúvida esse livro não chegaria aonde chegou e tão rapidamente se a notícia não tivesse vazado, a indenização dela poderia ser muito bem o valor que ela vai receber por ter escrito um livro tão bom. Pseudonimos eram muito utilizados por escritores antigamente, até Nelson Rodrigues chegou a escrever se nomeando como Suzana Flag.

E vocês o que acham? Gostaram do livro? Usariam pseudonimos?

Bruno Bastos