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O caso Isabella se esgota antes do julgamento

22 de abril de 2008 | Publicado na Categoria Outros assuntos | 23 Comentários »

Antes mesmo que a polícia apontasse os acusados de fato para que esses fossem para julgamento afim de que fossem designados culpados ou inocentes, o caso Isabela se esgotava.

É o novo Big Brother Brasil.

A verdadeira gravidade do fato simplesmente se dilui na importância que a imprensa dá à divulgação em si do fato. A propagação da informação – rápida, corrosiva, viral – é mais marcante que a informação.

Não importa mais o que aconteceu ou a verdade por trás do que aconteceu. Mas que se divulgue algo, não importa o quê.

A Rede Globo analisando a entrevista dos dois principais suspeitos – veiculada na própria Globo -, tentando descobrir as verdades por trás de palavras e expressões, foi algo de patético. Talvez entre para a história da comunicação como o momento mais fútil, egocêntrico e manipulador em que a imprensa se debruçou sobre si mesma. A cobra se engolindo pelo rabo.

A Revista Veja, estampando um FORAM ELES na capa, foi de uma grosseria que lembrou-me o caso da Escola Base, em Brasília São Paulo. Não cabe à imprensa julgar ou fazer investigação policial. Por mais que a revista esteja certa, errou. Foi irresponsável. Mesmo a polícia não fala em acusados, mas “únicos suspeitos”.

Cansa-me ver como a gravidade do acontecimento – a gravidade real – ganha uma gravidade irreal através da saturação. Ao mesmo tempo, ganha a importância das banalidades.

Uma garota morreu e isto é triste. É óbvio que os culpados devem ser presos e pagar pelo crime. Mas tanto quanto qualquer outro culpado pela morte de qualquer outra garota ou garoto ou homem ou mulher. Nem mais nem menos.

Porém, a justiça é cobrada nas filas dos ônibus com a mesma fanfarronice com que alguém diz que merece um aumento.

Mas não se tem coragem de pedi-lo.

Assim, Isabella transformou-se em personagem de novela através da presença excessiva nos meios de comunicação. O termo “presença excessiva” caracteriza-se porém não pelo tempo de exposição do caso, mas pelo caráter exploratório que a imprensa deu ao tema.

A criança morreu ao cair daquela janela – e já não me importa de fato quem a atirou de lá.

Pois quem acabou de matá-la foi a imprensa. A grande, a média, a miúda e nós, o público, que nos deliciamos sobre o pobre e infantil defunto.

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23 Comentários para “O caso Isabella se esgota antes do julgamento”

  1. Fábio C. Fusaro - 22 4 2008 às 9:46

    É, tem toda razão. Eu já não aguento mais ouvir falar nesse caso. É claro que eu sinto pela menina, mas já não me importa mais se o pai e e mãe postiça sejam os assassinos. Descobrir quem foi não vai fazer a menina voltar.

    O fato é que a maioria das pessoas que conheço não aguenta mais ouvir falar nesse caso. Talvez por eu estar em meio a pessoas que sabem que têm mais o que fazer da vida. É como no Big Brother mesmo. Ninguém que eu conheço gosta, mas a grande maioria do povo não têm noção de responsabilidade e faz questão de perder “tempo de processamento cerebral” com essas coisas.

    O que eu estava sentindo, mas não conseguia representar em palavras, você expôs claramente no seu blog: eles estão virando celebridades. Infelizmente, no mundo “Big Brother” de hoje, qualquer m* que você faça, a imprensa te torna famoso. E o pior é que tem “povo” pra te idolatrar. Uma pena mesmo.

    Você falou tudo.

  2. gi - 22 4 2008 às 14:20

    ja deu o que tinha que da esse caso !

  3. Anna C. - 22 4 2008 às 14:53

    Estou escutando o caso de orelhada, por telefonemas de parentes que estão no Brasil e leituras em blogs.

    E se eu, que estou a nove mil quilômetros do Brasil, já estou muito enfurecida com o tratamento de imprensa dado ao caso… Imagino, então, quem tem que acompanhar isso na TV, no rádio e na pausa do café, em esquema diário!

    Antigamente o povo assistia aos enforcamentos como diversão. Não evoluimos muito, pelo visto…

    PS – a Escola Base era em SP, não BSB, se minha memória não falha.

  4. marcus - 22 4 2008 às 15:25

    “A cobra se engolindo pelo rabo.”

    Ou seja, assim como Oroboros, ela é eterna.

  5. Tina Lopes - 22 4 2008 às 15:46

    A imprensa não apenas acabou de matá-la. É pior: mata a menina todo dia.

  6. Thássius V' - 22 4 2008 às 16:03

    Caro Alessandro, excelente texto. Me aproveitei dele para fazer um post sobre o ‘caso Isabella’.

  7. daisy - 22 4 2008 às 16:08

    Sinceramente, Ale, eu pouco escutei falar. Nada li (sério) e evitei ouvir comentários. Pelo simples fato de estar de saco cheio em assistir uma imprensa que trabalha a favor do Mal, fazendo marketing para o diabo. Parece discurso religioso, mas é tão somente meu asco por um mundo que dentre tantas injustiças, usa a imprensa para divulgar incansavelmente atrocidades como estas. Como desejar um mundo melhor se esta imprensa sangrenta e inútil persegue brutais assassinos e tarados e políticos, o que dá no mesmo.
    Minha opinião é que a mídia deveria aproveitar o caso e fazer vários estudos e pesquisas sobre o mau funcionalismo de um país de código penal retrógrado e repleto de corrupção.
    A menina não está morta sozinha. Com ela, a decência brasileira. O descaso. A impunidade… e o amor ao maligno que reside nos escombros da alma humana.

    Beijo.

  8. Régis - 22 4 2008 às 16:11

    Ninguém mais aguenta ligar a TV e ver isso. Ótima matéria Alessandro.

  9. Anny - 22 4 2008 às 16:47

    Oi Alessandro: (Certo?)Rs!
    este é o meu final na história.
    Não comentei em lugar nenhum sobre este assunto.
    Então aproveito para colocar um fim.

  10. ana lucia - 22 4 2008 às 16:59

    Alessandro o caso Escola Base ocorreu no bairro da Aclimação, em São Paulo. Interessante observar aqueles curiosos que acompanham o caso in loco, esse povo não tem mais o que fazer?

  11. Evandro Cesar - 22 4 2008 às 20:04

    Escrevi sobre isso tudo alguns dias atrás depois que li que programas de TV tinham crescido 46% depois do caso ou algo assim, enfim… O que me deixa muito aborrecido é o fato de se aproveitarem de qualquer tragédia para vender, mas isso é só minha opinião.

  12. Karyne - 22 4 2008 às 22:00

    É Alê… fico feliz em saber que tudo isto que está acontecendo, toda esta invasão fútil, anti-ética e mesquinha da mídia está incomodando diversas pessoas como você e eu. Melhor ainda saber que temos a oportunidade de usar a própria mídia (ainda que social) para combater essa atitude egoísta da mídia tradicional! Infelizmente, independente de culpados e justiça, a mídia conseguiu deixar em segundo plano a dor e a compaixão, e trouxe a tona todos os sentimentos de vingança, ódio, curiosidade e ‘justiça’ que poderiam perpassar a população brasileira.

  13. Siteja - 23 4 2008 às 4:21

    A imprensa é totalmente egoísta, para eles não importa o que aconteceu, o que importa é que tem uma imensa fonte de notícia, e o que fazem é aproveitar ela ao máximo, se possível vão até além. É repugnante…

  14. Neto Cury - 23 4 2008 às 16:29

    Tenho fama de chato na internet justamente por ficar saturado por assuntos repetidos e talvez por isso mesmo não goste de memes, mas já no 3º dia de reportagens consecutivas eu já percebi que a imprensa, principalmente a televisionada, faria um circo em cima de um fato tão triste, do ponto de vista da morte de uma criança e dos (possíveis) autores.
    Abraço

  15. Juliana - 23 4 2008 às 17:51

    Ah, você conseguiu expressar quase tudo o que queria dizer com o seu post, até me utilizei dele no meu blog.
    Obrigada, Tenha uma Boa Semana

  16. JULIO - 2 5 2008 às 13:59

    Não classificaria esse cenário de exagero, pois pode até haver um sensacionalismo, mas o remédio para aliviarmos da dor resolve, porém às vezes é amargo. Vejo que a sociedade está defronte a uma atrocidade similar ao Terrorismo, com agravantes, cometidos pelo próprio pai. O que assistimos é na verdade é a sociedade da liberdade, sem responsabilidades e total desrespeito pelo seu semelhante. O caso desta menina pode ser entre vários que ocorrem por ai, mas via de regra, sempre o fato de destaque é que se analisa e evidencia particularidades.

  17. Segundo - 22 5 2008 às 9:08

    O caso Isabela se esgota antes do jugamento? pera aí, é bricadeira! DEMOROU!!!, e a frieza dessa corja Nard…? o oportunismo desse tal advogadozinho Antonio? os olhares macabros dessa corja? desculpem me leitores de bom senso, pelos termos que uso. A mídia está divulgando o caso, não é devido a corja aparentar terem dinheiro, pois ter um Ford KÁ antigo e um vectra financiado não é ser família “rica” Monstro Nardo.. Jr., falando errado em entrevista, isso é ter estudado e se formado em direito? que universidade foi essa?

    Pra mim, e uma maior parte da massa, isso é simplesmente, PIADA. Esse aDVOGADOzINHO, Antonio, tem também que ir pra cadeia, por ter construído o monstro Jr.

  18. angie - 31 5 2008 às 20:31

    Realmente o caso esta muito massante , porem vou concordar com a Segundo este cla Nardone( e’ muito caras de paus)como eles gostam de dizer . Estam a fim de usar da propia lei para se safarem da mesma …
    e” muito triste .

  19. Alessandro Martins - 1 6 2008 às 14:35

    @angie: Prefiro aguardar o julgamento, Angie. Abraços!

  20. Eliel Santiago - 26 6 2008 às 11:41

    Não concordo com as criticas feitas aos que , como eu, se interessam por esse caso. É compreensível que a população a polícia e a imprensa tenham chegado a conclusão de que o pai e a madrasta sejam culpados. Todos os fatos levam a essa conclusão. Se não fossemos capazes deperceber isso , não poderiamos nem sair na rua , pois seríamos atropelados por não perceber os carros se aproximando. Se todas essas provas não bastarem, então o único jeito de condenar alguém , é se a pessoa confessar. E como nem todos confessam, se faz necessário o levantamento de provas e um julgamento, que , em caso de crimes contra a vida, são feitos pelo povo… O povo é o juiz…

  1. [...] Pois quem acabou de matá-la foi a imprensa. A grande, a media, a miúda e nós, o… Mas estamos no Brasil e o povo já os condenou. Será que isso pesa no júri composto por essas mesmas pessoas manipuladas?(Christian Gurtner) [...]

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