Um pai beija uma filha. Um gesto de carinho. Eu mesmo sempre beijei tanto meu pai como minha mãe.
As otoridades acham errado. Prendem o pai em território estrangeiro. Agora ele está no hospital. A filha sente-se culpada por tudo o que está acontecendo.
<ironia>Certamente, as otoridades estão protegendo a criança, agora muito menos traumatizada.</ironia>
Devem estar orgulhosas do bom serviço prestado à moral, aos bons costumes e à lei.
Isso lembra muito uma história que reproduzi aqui no blog e ilustra bem a falta de inteligência ética daqueles que supostamente são responsáveis pela nossa segurança:
É uma história sobre limonada. Um pai e seu filho de sete anos estavam assistindo um jogo dos Detroit Tigers no estádio. O filho pediu uma limonada ao pai e o pai foi ao quiosque comprá-la.
No quiosque eles só tinham a “Limonada Forte do Mike”. Que tem 5% de álcool. O pai, sendo um professor universitário, não tinha a menor ideia de que a “Limonada Forte do Mike” continha álcool. Portanto ele a comprou e trouxe ao filho.
O garoto estava tomando-a quando um guarda o viu. E chamou a polícia. Que chamou uma ambulância, que correu até o estádio. E carregou o garoto para o hospital. Na sala de emergência constatou-se que o garoto não tinha álcool no sangue.
Ufs, fez o pai. Que bom! E eles estavam prontos para liberar o garoto. Mas não tão rápido. O Serviço de Proteção ao Bem-Estar Infantil do Condado de Waine disse “não”. E a criança foi enviada a uma família que acolhe crianças com problemas por três dias. Neste ponto, será que a criança poderia ir para casa?
Bom, um juiz disse que sim, mas somente se o pai deixasse a casa e fosse para um hotel. Após duas semanas, fico contente de lhes contar, a família foi reunida. Mas os assistentes sociais e o pessoal da ambulância e o juiz, todos disseram a mesma coisa:
- Nós detestamos fazer estas coisas, mas precisamos seguir as regras.
- Leia o artigo completo: Os Juízes Pararam de Estudar Ética?
Veja a palestra completa e o final desta história neste vídeo:
Finalmente, a conclusão é a seguinte:
A habilidade ética acaba sendo desgastada pela confiança excessiva em regras, que nos privam da oportunidade de improvisar e aprender com nossas improvisações. E aí, a vontade moral é minada por um apelo incessante a incentivos que destroem a nossa vontade de fazer as coisas corretamente.
E sem intenção que isto ocorra, ao apelar para regras e incentivos, nós estamos nos engajando numa guerra contra a sabedoria.
As pessoas deixam de fazer coisas boas porque basicamente elas são boas e coisas ruins porque basicamente elas são ruins. Fazem coisas boas para conseguir recompensas e deixam de fazer coisas ruins para não serem punidas.
Basicamente, o que quero dizer é que o que está acontecendo nessa história é o contrário da inteligência e o contrário da sabedoria que você e eu sabemos o que são.












