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O beijo do pai, as autoridades e a sociedade

12 de setembro de 2009 | Publicado na Categoria Educação | 3 Comentários »

A leitora Helena Gurgel enviou o seguinte comentário ao post O Beijo do Pai e a Falta de Inteligência Ética, a respeito do suposto assédio do pai à filha pequena em Fortaleza. Peço a sua apreciação:

Alessandro,

Moro em Fortaleza e acompanhei o caso no noticiário local, que deu bem mais destaque do que a imprensa nacional. Acho que você poderia rever a frase “as otoridades acharam errado”, pois, na verdade, quem achou errado a atitude do pai foi um casal de turistas de Brasília, que fez a denúncia à Polícia.

O delegado cumpriu apenas o seu dever de apurar o caso. A prisão se deu em razão de ele ter considerado flagrante (que depois a juíza do caso desconsiderou, tendo em vista que a prisão se realizou mais de duas horas depois do fato), mas acredito que principalmente pelo fato de ele ser estrangeiro, sem domicílio fixo no país (aumentando as chances de evasão).

O inquérito foi célere, finalizado em nove dias (a autoridade policial dispõe de 10 dias, podendo ainda ser prorrogado esse período).

Quando um delegado recebe uma queixa, tem o dever de investigá-la. Neste caso específico, o delegado disse que o testemunho do casal de turistas brasilienses foi muito veemente. Eu mesma vi na TV uma entrevista com uma das testemunhas e ela falava com uma certeza muito grande que aqueles gestos “não eram de pai e filha, mas de marido e mulher”.

Quando uma autoridade policial recepciona um testemunho de um suposto crime, uma das coisas que ele analisa é justamente a qualidade do depoimento (se a pessoa titubeia, se não descreve o fato com acuidade, etc) e, nesse caso, eu vi na TV que a testemunha (a mulher brasiliense) falava de maneira muito contundente, afirmando que havia atos libidinosos, além dos selinhos.

Neste momento, deve o delegado agir em prol da sociedade e não do investigado (observando no que der a presunção de inocência, claro). O problema foi que a imprensa fez um circo, por se tratar de estrangeiro, principalmente. Em nenhum momento, a polícia agiu com abuso, mas sim com precaução. A criança precisava, sim, passar por uma avaliação por psicólogos e assistentes sociais, pois o que se sobrepõe é a proteção da infância em detrimento de qualquer outro direito.

Inclusive, o italiano já teve a prisão relaxada e o Ministério Público já informou que vai pedir arquivamento do caso. Aliás, ressalte-se que ontem o italiano já retornava ao seu país e deu uma entrevista pelo telefone. Quando perguntado se ele poderia repensar as atitudes que tinha com a filha, ele mesmo respondeu “sim, isso poderá ser feito”.

Lembre-se que existe muita discussão entre os especialistas sobre essa conduta do selinho, tendo em vista que a boca é uma zona erógena, não há consenso entre os psicólogos do que poderia ser permitido ou não.

Acho que o tom jocoso que você utilizou em “otoridade” poderia ser repensado, Alessandro. É muito fácil culpar as “otoridades”, quando a culpa é da sociedade (lembre-se que a queixa partiu de turistas brasilienses que freqüentavam a barraca, os funcionários da barraca de praia testemunharam em favor do italiano). O delegado cumpriu seu dever e, repito, sem abusos.

Quanto a comparação com o caso da limonada (nota do editor: para saber qual é o caso da limonada, leia o post que originou o comentário), acho que não diz respeito ao caso, até porque a realidade e as leis brasileiras são diferentes das norte-americanas (que muitas vezes é burrocrata). Achei que a comparação não foi adequada, o problema não foi da autoridade, mas da sociedade.

Gosto bastante do seu blog (leio sempre) e a crítica não é pessoal. Não defendo política criminal de tolerância zero, acho que houve exagero (DA IMPRENSA) sobre o caso, bem como dos turistas que testemunharam o evento.

E você? O que acha?

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3 Comentários para “O beijo do pai, as autoridades e a sociedade”

  1. Sergio Grigoletto - 12 9 2009 às 15:07

    Olá, Alê!

    Realmente, não há apenas um buraco mais abaixo no episódio. Há uma cratera.
    http://www.clubeletras.net/blog/educacao/e-o-italiano-preso-por-beijar-a-filha/

    Abs!

  2. Fábio bv - 13 9 2009 às 12:16

    Eu entendo o ponto de vista de quem postou o comentário se for pensar no princípio de que deve-se existir um método lógico para averiguar não só este, mas qualquer fato. Se há dúvidas com relação a veracidade de um fato, seja um abuso infatil ou a eficácia de um novo remédio, um método científico deve existir.
    Acredito que o texto do Alessandro procura expor justamente a ineficácia de um método aplicado em casos obviamente resolvíveis e que envolvem pessoas, e não só isso, mas que geram verdadeiros traumas em toda uma família.
    Acho ridículo neste caso por exemplo o inquérito levar 9 dias pra ser finalizado e ainda por cima prender o cara em um flagrante que não houve, quando era a palavra de um casal acusador contra a de testemunhas que diziam não haver nada de anormal, por exemplo. É justo isso?

    Abraço a todos!
    Fábio BV

  3. Aline - 14 11 2009 às 12:31

    Em se tratando de Brasil, tantas coisas acontecem…
    Enquanto pessoas de bem, por exemplo estão presos em suas próprias casas bandidos vivem ‘livres’ até mesmo nas prisões…
    Embora, nem todas “otoridades” sejam “otoridades” vivemos num mundo tão cheio de abusos em todos os sentidos que numa situação como esta não sei muito bem o que dizer.
    Porém, de uma coisa eu tenho certeza, se todos os brasileiros, fizessem como os que filmaram um possível ato de pedofilia, começassem a filmar os possíveis, para não dizer com certeza, atos de corrupção dos políticos brasileiros, nosso Brasil seria muitíssimo melhor em todos os aspectos: NA EDUCAÇÃO, NA SAÚDE, NA ECONOMIA, NA PRÓPRIA POLÍTICA… Com tantos “desvios” de “dindin” uns poucos tem de mais e uns tantos tem de falta…
    ACORDA, POVO BRASILEIRO!

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