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A gente lia O Cortiço. E daí?

5 de junho de 2009 | Publicado na Categoria Educação | 11 Comentários »

Para quem não leu o post anterior, o Governo de Santa Catarina adquiriu 130 mil exemplares do livro Aventuras Provisórias, de Cristóvão Tezza, para usar no currículo de suas escolas, mas voltou atrás pois o livro teria pelo menos um trecho considerado pouco pudico.

A Simone Campos, em seu comentário, lembrou muito bem do livro O Cortiço, de Aluisio Azevedo, que fazia parte do currículo de muitas escolas.

Eu mesmo tive de lê-lo:

O Cortiço foi leitura obrigatória no segundo ano do meu Ensino Médio. Os professores até ficam felizes, porque sabem que os alunos finalmente vão ler o livro todo, afinal, ele é coalhado de sacanagens… você vê os meninos se cutucando e perguntando se os outros já chegaram na cena lésbica. É raro ver tanto entusiasmo pela literatura.

Quanto a mim, fiquei meio chocada, mas entendi a função das cenas no romance, especialmente com a explicação do professor sobre o naturalismo e os nomes das personagens.

Na mesma época (aliás, durante essa aula), eu li Lolita — e achei bem melhor que “O cortiço”, porque se preocupava menos em chocar do que mostrar a complexidade da situação de Humbert.

A educação sexual costuma ser ministrada na 6a série; no Ensino Médio, certamente alguma aluna já deve ter aparecido grávida; o Tezza escreve bem; então por que a hipocrisia?

Proíbam os livros mesmo, digam que é “perigoso”, que aí todo mundo vai correndo ler. É melhor acreditar que tudo isso se trata de uma estratégia inteligente pra estimular a leitura no Brasil…

E olha que isso de ler O Cortiço, pelo menos para mim, foi no começo da década de 1990, uma época em que as mulheres ainda usavam anágua, não deixavam a canela aparecer, e os homens não saíam de casa sem chapéu.

Bons e puritanos tempos.

Sou de opinião similar: tal cancelamento da compra dos livros é, antes de tudo, uma grande propaganda. Tudo o que é proibido gera mais interesse. Quanto mais se bate em um sino, mais ele chama a atenção para si.

No fundo, foi bom para o Tezza.

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11 Comentários para “A gente lia O Cortiço. E daí?”

  1. Josafá Crisóstomo - 5 6 2009 às 12:48

    Muitíssimo bem lembrado. Eu também li O Cortiço na 8a série e tinha 14 anos. Isso foi no início da décade de 80!
    Imaginem, quase trinta anos depois os responsáveis pelas políticas educacionais de leitura, de um determinado governo, estão chocados com alguma coisa que se escreva na contemporaneidade!
    É bom lembrar que O Cortiço é chocante sim para um adolescente… Ele foi escrito no século XIX e… é um livro ótimo!
    É uma pena, mas não acho que foi com a intenção de estímulo à leitura, a proibição. É coisa de gente absolutamente anacrônica e cujos princípios morais estão desequilibrados e absolutamente deslocados no tempo e espaço. É isso.

  2. Mary Miranda - 5 6 2009 às 13:10

    Oi, Alessandro!
    Para mim, “O cortiço” é forte em qualquer idade!
    Eu mesma o li já adulta (no Ensino Médio não fui obrigada!) e confesso que o enfoque nada convencional e bem pouco hipócrita, trago-o na mente até agora.
    A passagem da pobre Bertoleza, a escrava-esposa do canalha dono do cortiço, onde ela descobriu que tipo de homem era o “marido” ( não vou contar a cena porque há pessoas que não o leram!), me fez ficar enojada da humanidade por quase uma semana…
    Escolher livros para leitura por parte do professor, depende muito da proposta que ele tenha em mente.
    Não vale jogar livros para os adolescentes lerem( com ou sem indecência), sem uma preparação, uma conversa explicando os motivos pelos quais o autor utilizou-se de tais recursos.
    O melhor mesmo é que os alunos LEIAM, e o gosto por esse ou aquele estilo literário, caberá a cada novo leitor que “nasce” no mundo maravilhoso da leitura…
    Um abraço,
    Mary.

  3. Nelson (Pô, meu!) - 5 6 2009 às 16:56

    Excelente Alessandro.

    Concordo em gênero, número e grau contigo. Também li O Cortiço lá pelos 12 anos. Na mesma época que comecei a ver revistas e filmes super8 pornográficos. Natural para um garoto no início dos anos 70. E olha que depois que amadureci, nunca mais liguei para pornografia, mas nunca excluí assuntos relacionados com sensualidade. Agora, me diz uma coisa, onde você morava no início da década de 90 com anáguas, com mulheres que não deixavam a canela aparecer e etc? :-) É só curiosidade.

    Abração e sucesso,
    Nelson

  4. Roseli - 5 6 2009 às 18:00

    Nossa, essa mentalidade é que me mata! Bem lembrado sobre o Cortiço. Ainda mais nos dias de hoje que a TV escancara a sexualidade através de seus programas, isso é ridículo. Sou da opinião de que o leitor tem de diversificar sua leitura e desenvolver sua visão crítica. Eu mesma quando estudava odiava os livros adotados para leitura. Tanto que só na fase adulta é que peguei esses livros novamente , li e gostei . Agora ler só por ler, tá fora de questão. Masssss enfimmm, isso é Brasil!!!
    Abraço,
    Roseli

  5. O BLOG DO SEU PC - 5 6 2009 às 18:17

    Li dois livros citados por você: O Cortiço de Aluísio Azevedo e Lolita por Vladimir Nabokov, em época distinta. Analisando hoje, por minha lembrança, acho O Cortiço infinitamente superior ao Lolita. Aluísio Azevedo para mim ele é um grande escritor, afinal através do livro Lágrimas de uma mulher, que não é considerado um grande livro pelos críticos, foi o que me despertou interesse pela literatura e gosto pela leitura, tanto que li todos os livros de Aluísio Azevedo e só aí passei para outros escritores: Machado de Assis, Graciliano Ramos, Ignácio Loyola Brandão, Érico Veríssimo, Júlio Ribeiro, Antonio Callado, Eça de Queiroz…etc.
    Concluindo: escolas têm que valorizar os escritores brasileiros, que são ótimos.

  6. fred - 5 6 2009 às 18:22

    Olá Alê
    estou na 8° serie e é dificil achar alguem em minha sala que ja tenha lido mais de 10 livros na vida, e olha que tem marmanjo de 18 anos lá.
    Há uma semana aproximadamente foi emprestado um livro para cada aluno, que deveria fazer um trabalho sobre o enredo.
    Metade da sala leu um resumo na internet e fez o trabalho a partir disso.

    Tenho certeza que se fosse dito que havia 4 linhas de , usando suas palavras, SEXO, esse numero cairia muito.
    Faço coro com a Simone quando ela diz que espera que seja uma estrategia do governo para estimular a leitura.

    P.S.:Expressou muito bem sua opinião no ultimo post, mostrou a situação e sua opinião sem induzir seus leitores ou ofender alguem.

    Abraços

  7. Bruno Alves - 6 6 2009 às 19:40

    Muito pertinente essa lembrança. Também li “O Cortiço” na oitava série, lá no finalzinho dos ano 70 (lembrei também que a professora, numa das aulas de literatura, falou sobre Júlio Ribeiro e todo mundo foi correndo ler “A Carne” sem ela mandar :))
    Diante de toda essa polêmica, que começou com o excelente “Dez na área…” tô procurando os traumas e os desvios de conduta que tais leituras me deram, mas ainda não achei (já tô nos quarenta e quatro). Proibir livro porque tem um trecho pouco pudico pode, mas a novela da grobo que passou originalmente às 21 horas e agora passa às três da tarde as secretarias de educação não enxergam…

  8. _Maga - 6 6 2009 às 22:07

    Bem lembrado. O Cortiço, a gente lia – e até torço que continuem lendo, já que não é só de literatura que o livro fala: ele conta uma realidade histórica (?) brasileira, além de ter temas atuais e que chamam atenção dos estudantes. Ela foi contundente na suas colocações. É mais ou menos como pensar que palestras sobre o uso de dogras que atição o interesse dos estudantes para o uso destas substancias. Os alunos teram meios muito mais própricios para se envolverem com estas substâncias do que tais palestras – e se as palestras esetão fazendo isso, é porque não foram bem feitas. Mais dia ou menos dia os alunos teram de encarar a sua sexualidade e é bom que já tenham visto esse assunto em outros momentos da sua vida, de forma natural e saudável respeitando a sua capacidade de compreensão.

    Temos, urgentemente, de deixar que falsos moralismos dirijam nossas escolas, e começar, finalmente, a deixar a direção delas para a ciência do ensino.

    Um abraço

  9. Te - 8 6 2009 às 10:42

    Boa lembrança. Também li O cortiço, cheio de gente com a sensualidade à flor da pele e arrastando até a jovem casta criada pra casar. E O primo Basílio, com o dito cujo fazendo sexo oral na Luísa.
    Também adorei a resposta do Tezza, foi uma cagada homérica pra polêmica.

  10. cindy bianca - 14 9 2009 às 18:40

    Na opinião que vocês acharam do livro do cortiço vocês gostaram do final

  11. sara - 15 11 2009 às 9:57

    gente pelo amor de Deus , eu presico fazer um trabalho mais nao tive tempo de ler o licro ´´o cortiço“ e presciso explicar cinco motivos a favor ou contra o livro, mais nao sei de nada ! por favor me ajude.
    conto com ajuda de voçes! ME SALVEM DESSSSSAAAA.

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