asterix e obelix

Ninguém vaia Roma.

No entanto, todos podem ir a Roma, desde que tenham boca.

Recentemente, espalhou-se uma série de “correções” (muitas aspas) a ditos populares e a rainha destas é a que diz que na verdade o correto não é “quem tem boca vai a Roma” e sim “quem tem boca vaia Roma”, expressando talvez a insatisfação dos povos bárbaros contra o jugo do império de Julinho César.

Um artigo do professor de português Claudio Moreno, que há muito procurava, vem fazer justiça contra essas invencionices etimológicas.

Apresento abaixo um resumo:

  • Forró: contração de forrobodó (festança), vocábulo encontrável no século XVII. E não a pronúncia errada de for all (para todos, em inglês)
  • Enfezar: do latim infensare (opor-se a algo). E não encher-se de fezes (valha-me, meu São Aurélio Buarque de Hollanda).
  • Aluno: do latim alumno (criança de peito, discípulo). E não “sem-luz”. Sobre essa, eu ganhei um debate com o então governador do estado do Paraná, Roberto Requião. Foi divertido: leia.
  • Quem não tem cão caça COM gato: e não “como” gato. Pessoalmente, confio na forma como Machado de Assis costuma usar essa expressão.
  • Quem tem boca vai a Roma: e não “vaia” Roma. Essa expressão existe em outras línguas e em todas ela tem o sentido de dizer que quem sabe se expressar e perguntar chega a qualquer lugar, inclusive Roma. Em francês, por exemplo, é Qui langue a, à Rome va. Em italiano: Chi lingua ha, a Roma va. Em espanhol: Preguntando se va a Roma.
  • Nas coxas: de conotação sexual. Muitos foram os que nasceram apesar de terem sido feito nas coxas. No entanto, espalhou-se a história de que se faziam e moldavam telhas nas coxas e elas ficaram irregulares. Colou.

Eu acrescentaria termos como religião (que erroneamente se espalha como derivado de religare, da nossa necessidade de nos religarmos ao divino ou outra bobagem assim) e também o cuspido e escarrado (que inventaram que é, na verdade, esculpido em carrara).

Quem tem boca vaia essas bobagens.

photo credit: Andy Field (Field Office) cc

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!