Encontre os 70 erros

Então leio, e leio bastante. E posso ler mais. Ficar carregando livros é um pé no saco, sempre foi. Muito trabalho pra pouco (século XXI, gente, ninguém além da minha mãe viaja com baú).

Ganhei um Nook Simple Touch de aniversário. Que coisinha. Menos peso, mais agilidade. Tudo isso graças ao e-book reader.

O termo e-book reader vem sendo traduzido como livro eletrônico, o que acho um tantinho fora da marca do que o aparelho realmente é. Afinal, o que é um livro? (foi uma pergunta, sinta-se à vontade pra dizer o que pensa nos comentários!)

Definindo livros

Antes de Gutenberg já existia o livro? Afinal, o livro é um receptáculo de papel com letras impressas? E se as letras fossem na verdade marcações à mão de um autor qualquer, o livro se torna um caderno? Um incunábulo, é um livro? E os textos egipcios? Aliás, que textos egípcios, afinal bem sabemos que muito era dito nas paredes das tumbas dos egípcios mais abastados do passado. A pergunta tem uma razão de ser: o que chamamos de livro eletrônico, o e-book reader, é livro em que medida?

Ele pode bem passar por livro, sem maiores denominadores; que os mais recatados aceitem que o conceito mudou – coisa que poucos querem fazer neste momento –. Então, pra evitar confusão, prefiro o termo Plataforma de Leitura Eletrônica (PLE). Nada de leitor eletrônico, pra mim (afinal, o leitor sou eu) ou de livro eletrônico. A plataforma de leitura eletrônica, como as versões mais simples do Nook, do Kindle e do Kobo, pra citar poucos exemplos, permite que vários textos sejam portados em um mesmo aparelho. Permite também que textos sejam adicionados ou excluídos e, dependendo da plataforma escolhida é até possível que um texto seja emprestado por um período para leitura no aparelho de outra pessoa; há casos em que a sincronização da leitura pode ser feita entre desktops, smartphones e PLEs. Durante a maior parte de sua história, entretanto, o livro foi considerado como a plataforma E o conteúdo – e este é o conceito vigente –. Ou melhor, vinha sendo. E saber disto é fator determinante ao pensar em comprar um bichinho destes.

PLEs são mais que pode-se pressupor do termo livro eletrônico: são verdadeiras bibliotecas. E aí pergunto (de novo, vou encher o saco): quem tem preconceito para com bibliotecas?

Sobre o autor: Otávio Dias

Velho, implicante, desvairado: concordância nominal não é prioridade de minha pessoa. Tampouco o é sacar meandros da língua; desvendar