Depois de publicarmos o artigo Biblioteca Comunitária Não é Lixão, recebemos uma resposta do Tunico Vieira, que se auto intitula escritor e visionário.
Apesar de ele dizer, ainda que se refira ao título do artigo, que somos arrogantes e retrógados, acho por bem publicar a mensagem tanto para promover o debate como para divulgar o trabalho do Tunico Vieira, que obviamente é sério, bom e de vanguarda.
Segue:
Prezado Alessandro
Lendo uma matéria sobre desabafo de Daniele Carneiro da Biblioteca comunitária sitio Vanessa, escrevi algo sobre o assunto, e creia não tenho intenção em ser divulgado meu trabalho nem algum tipo de marketing, apenas uma ideia para a moça que chegou a infeliz conclusão ao receber livos/lixo para a biblioteca. Segue texto no corpo do e-mail, mas tbm estou enviando em anexo, pois gostaria que meu texto chegasse a ela.
NENHUM LIXO É LIXO
Gente que titulo mais grotesco, que ideia mais retrograda, arrogante. LIXO NÃO É LIVRO, BIBLIOTECA NÃO É LIXÃO…
- Primeiro é importante ressaltar que quando se toma decisão em se ter, ou for o provedor de uma biblioteca comunitária, temos de levar em conta os percalços, a solidariedade subentendida de doadores e de quem recebe essas doações.
Entendo, e esse parecer não é somente meu que quando solicitamos doações porque temos VONTADE em ajudar, semear, plantar para que todos futuramente venham a colher, ou seja, mais pessoas com acesso a livros e consequentemente um país mais literário.
Não podemos dizer para quem nos da um presente (doação): Olha isso é lixo, não serve para a biblioteca, da próxima vez nem nos ligue mais porque percorremos grande distância para pegar os livros e quando chegamos deparamo-nos com lista telefônica, livros técnicos e livros deploravelmente velhos, lixo e lixo, etc.!
Gente, quem doa, seja o que for não necessariamente quer se livrar do velho, do lixo, pelo contrario, é muito simples depositar na lixeira para o caminhão do lixo recolher, esse doador nem precisaria gastar com telefone para a biblioteca ir ate eles pegar os livros, simplesmente depositariam os mesmos no lixo. Este discernimento quem deve ter é o responsável pela biblioteca, que deve sim receber as doações sorrindo, agradecer e quando abrir a caixa e se deparar com livros que não servem para a biblioteca, dar aos mesmos, destinos adequado e lucrativo. Eu vou explicar como e por que.
Em 2008 quando nossa biblioteca comunitária estava precisando de livros, sede estrutura mínima para funcionar com dignidade e o governo do município fechou todas as portas restando-nos apenas quatro pessoas com boa vontade e turbilhões de ideias e nenhum dinheiro, colocamos um anuncio nas rádios que faríamos um pedágio para arrecadar livros, quais quer que fossem para darmos inicio a biblioteca comunitária. Durante 10 horas no farol em uma das avenidas da cidade recolhemos no final do dia, 700 quilos de livros. Levamos para casa, em uma semana classificamos o que serviria para a biblioteca e sobraram 420 quilos do que vocês chamam de lixo, e vendemos para reciclagem de papel que rendeu a biblioteca a compra de duas estantes, duas mesas de leitura com 10 cadeiras, e ainda sobrou dinheiro para comprarmos mais 35 livros novos. E conseguimos isso tudo em apenas UM DIA DE BOA VONTADE.
Sim sobrou mais lixo do que livros para a biblioteca, sem duvida, mais ao invés de sermos mal educados e anunciarmos via internet o descontentamento em termos recebido lixos como doações, fomos a luta, transformamos esses limões em limonada.
Temos muita vontade em sermos voluntários de biblioteca comunitária, construir uma, etc. Mas não podemos nos acomodar querendo só receber tudo novinho, tudo prontinho apenas para somar ao acervo, na realidade ninguém quer realmente cortar o limão, espremer, fazer o suco, oferecer e até servir-se.
Por favor, peçam desculpa do que vocês fizeram, lembrem-se que já temos tantas dificuldades em adquirir e manter uma biblioteca comunitária.
Só para ilustrar: Com a resposta que tivemos com o episódio do pedágio, decidimos, mais uma vez saírmos de nossa zona de conforto e vamos a cada quinze dias em toda a cidade recolher jornais que as pessoas e empresas guardam para nós, vendemos e já compramos computadores, locamos um bom espaço para a biblioteca e agora nosso projeto é, com esse lixo que vocês não querem, vamos conseguir transformar em dinheiro e dar entrada na compra de um pequeno imóvel para a sede permanente de nossa biblioteca comunitária. Não, não somos catadores de material reciclavel, mas trabalhamos com nossa realidade.
OS: Não pense que gastamos combustível para recolhermos os jornais a cada quinze dias, com nossa atitude, contagiamos mais voluntários que fazem o serviço gratuitamente para a biblioteca.
Gente, para tudo que fechamos a porta, perdemos em aprendizado e realização. Desculpem o mau jeito e fiquem com Deus
Tunico Vieira
Escritor e visionário.









