Nas livrarias, o que podemos esperar sobre ética

Lamentável a declaração do senhor Fabio Herz, diretor da Livraria Cultura, no Correio Braziliense, que encontrei no blog da Denise Bottmann:

(…) a reação do diretor da Livraria Cultura, Fabio Herz, no depoimento que deu ao Correio Braziliense na matéria sobre plágio deste fim-de-semana (Palavras replicadas). Ele diz: “A partir de um momento em que o juiz determina alguma coisa e foi dado como algo plagiado, a gente recolhe (os livros). Só que não tenho a competência para julgar isso. Denúncia não significa que algo está errado, alguém vai apurar. Se o Ministério Público chegar à conclusão que é plágio, retiro da livraria. Mas antes de uma decisão da Justiça não posso tomar decisão precipitada porque não me cabe o julgamento. É uma situação delicada, mas não gosto de tomar uma decisão antes que a Justiça determine uma posição”.

Prefiro imaginar que houve algum engano do repórter no momento da transcrição – só isso já seria terrível.

Quando precisamos exclusivamente de leis e da determinação de autoridades para fazer o que é certo e só fazemos o que é certo mediante o medo da punição ou a esperança da gratificação, a ética não é mais possível.

Além disso, esperar que o Ministério Público – privado, alado, minúsculo, gigante, imaginário ou seja lá que tipo de ministério – tenha mais autoridade em declarar o que é ou o que não é plágio que um homem que vive dos livros – mesmo quando esse plágio é mais do que evidente – diz muita coisa sobre como atua o mercado editorial brasileiro atualmente.

Gostaria de imaginar que outras livrarias importantes adotam posturas diferentes, mas considero improvável.

No entanto, estou certo de que o senhor Fabio Herz tem algo a acrescentar a sua declaração que, eventualmente, descontextualizada, editada – como costumam ser editadas as declarações nos jornais -, pode ter sido ela (a declaração) privada completamente da razão.

Por enquanto, não compro mais na Livraria Cultura.

Postado em Mercado.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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