Pra deixar de temer o ridículo, primeiro precisamos nos perguntar: o que é ridículo? O ridículo é algo que ultrapassa alguns limites imaginários. Não são limites legais, não são coisas proibidas; são apenas coisas que consideramos inadequadas. É algo possível de se fazer, mas que pode não ser bem visto. Ser ridículo é correr um risco – alguns o interpretarão como coragem e personalidade; para outros, será apenas um sinal de falta de conhecimento e noção.

O contrário de ultrapassar os limites é estar sempre na linha segura do senso comum. Nunca é ridículo quem se veste da maneira que se espera de alguém com sua idade, sua profissão, seu status. Está a salvo do ridículo quem fala o que deve falar, quem tem as mesmas opiniões que as pessoas à sua volta. Ser comum é confortável e funciona muito bem no dia a dia. Mas para tocar as pessoas é preciso um pouco mais.

Escrever não é o mesmo que falar, é possível gostar de um texto sem concordar com o que está escrito, enfim, a escrita possui parâmetros diferentes dos cotidianos. Se for para encontrar num texto o que eu já encontro no meu dia a dia, qual a necessidade de lê-lo? Um texto deve me dizer algo novo e me levar a lugares aonde eu não iria sozinha. Por isso que eu defendo que o texto deve ter um a mais: ele deve ser mais corajoso, mais revelador, diferente. Coisas que provavelmente ficariam ridículas se ditas em voz alta ou se colocadas em prática no dia a dia.

Não tenha medo do ridículo ao escrever. Tenha muito mais medo de ser comum.

Sobre o autor: Caminhante Diurno

Caminhante tem casa, marido, cachorro, blogs (Caminhante Diurno e Caminhando por Fora), carteirinha da biblioteca. E não pode viver sem qualquer um deles.